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Matéria: WOA Metal Battle Recife 2010

4, maio, 2010

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A etapa recifense do WOA Metal Battle 2010 aconteceu no último sábado, 01 de maio, no Bomber Rock And Metal Bar, no Recife Antigo. O evento foi realizado em conjunto entre a Revista Roadie Crew e a Blackout Discos Produções, do produtor musical João Marinho. Este ano, as bandas selecionadas para o festival foram (em ordem de apresentação) Cangaço, Still Living, Project 666, Firetomb e Inner Demons Rise. A seletiva contou com as participações especiais de Luis Carlos Vieira (Roadie Crew) e Cintia Diniz e Vinicius Neves (Programa Stay Heavy).

O Bomber Bar vem se consagrando entre os headbangers como o principal ponto de encontro e local para shows de pequeno porte, graças principalmente à sua localização centralizada, ambiente temático e atendimento personalizado. Não é exagero dizer que o Bomber nos remete ao antigo espaço Dokas, pelo impacto representativo que ele causa para a cena do Metal em Recife.

WOA Metal Battle Recife 2010 - Cangaço

WOA Metal Battle Recife 2010 - Still Living

O local onde aconteceu a seletiva deste ano contou com um grande público headbanger, ávidos por suas bandas preferenciais. Boa parte deste pessoal é bastante conhecido de todos, através de suas bandas. Foi também uma excelente oportunidade para rever alguns dos amigos da cena para troca de ideias, bate-papo e acertos de projetos futuros. Para este evento, eu fui convidado a atuar como jurado.

A primeira banda a se apresentar foi a Cangaço, que introduzem elementos do ritmo do sertão mesclados ao Heavy Metal. O trio fez uma bela atuação no palco, mostrando-se uma grande concorrente; A segunda banda foi a Still Living, com o seu Hard Rock oitentista. Embora desconhecida do público recifense (eu tive a oportunidade de conhecê-los em 2008, em Caruaru), a banda foi capaz de conquistar alguns novos fãs e causaram um certo frisson; O espaço deu vez à furiosa Project 666, a única banda que conseguiu formar uma roda de pogo em frente ao palco. Se a violência e a destruição podem ser manifestadas através da música, a Project 666 é merecedora da composição da trilha sonora; A penúltima banda do evento foi a Firetomb, que agitou o público com seu peso sonoro. O grupo foi bastante comemorado entre os bangers, mas foi um pouco prejudicado com as eventuais falhas técnicas de som; A seletiva chegou ao seu final com a apresentação da Inner Demons Rise, que deu um belo show e mostrou-se como um dos grandes nomes da cena atual. Esta foi outra banda que se prejudicou com a sonorização. Logo na primeira música, eles tiveram que interromper a apresentação, pois não era possível ouvir bem o que cantava o vocalista, deixando-o praticamente “mudo”.

WOA Metal Battle Recife 2010 - Project 666

WOA Metal Battle Recife 2010 - Firetomb

WOA Metal Battle Recife 2010 - Inner Demons Rise

WOA Metal Battle Recife 2010 - Vinicius Neves & Luis Carlos Vieira

A performance das bandas me surpreendeu bastante, onde cada uma delas demonstrou um alto nível técnico. Igualmente à edição de  2009, este ano tivemos mais uma vez um representante do Agreste de Pernambuco, a garanhuense Still Living. Todos os demais grupos são oriundos de Recife. Isto reforça a ideia de que o evento dá oportunidades para bandas de outras localidades.

Terminadas as apresentações, a produção do evento relembrou que a votação final teria um voto extra gerado pelo público. Vinícius Neves fez um discurso geral sobre o evento e Luis Carlos anunciou o título da banda vitoriosa, que foi conferido à Cangaço. Novamente, um trio passa para a próxima etapa da seletiva do WOA Metal Battle. A banda Alkymenia foi a escolhida na edição anterior, thrash trio de Caruaru, Agreste de Pernambuco.

Parabéns aos músicos Rafael Cadena (guitarra, vocal), Magno Lima (baixo, vocal) e  Arthur Lira (bateria). A banda Cangaço merecidamente levou o título e Pernambuco estará novamente muito bem representado.

VISITEM ESTES WEBSITES

Wacken Metal Battle Brasil www.metal-battle.com.br
Revista Roadie Crew www.roadiecrew.com

Cangaço www.myspace.com/cangacometal
Firetomb www.myspace.com/firetomb
Inner Demons Rise www.myspace.com/innerdemonsofficial
Project 666 www.myspace.com/project666metal
Still Living www.myspace.com/stilllivinghardrock

WOA Metal Battle Recife 2010 - Cangaço & JOSCO

Matéria – Megadeth (20/04/2010, Recife, PE)

23, abril, 2010

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A cidade de Recife, capital de Pernambuco, consolidou-se como o principal representante do Nordeste do Brasil para o Heavy Metal. Desde o ano de 2008 que a cidade pulsa o Metal constantemente, onde tivemos, de lá para cá, grandes bandas do cenário mundial se apresentando por aqui. A partir de 2009, com a feliz surpresa de conferir um dos maiores ícones deste gênero, a britânica Iron Maiden, o público headbanger aguarda com grande ansiedade uma atração de grande repercussão a cada novo ano. Ainda em 2009, tivemos a presença dos consagrados Motörhead. Em 2010, a nova “safra” de shows lançou a aposta em uma das bandas que fazem parte da BIG FOUR (as quatro grandes bandas) do Thrash Metal americano: Megadeth. As outras três são Metallica, Slayer e Anthrax. Vale lembrar que neste mesmo ano já tivemos Overkill, outro grande representante do Thrash Metal mundial, e ao final do mês de maio teremos UFO. Este ano está sendo memorável.

Um novo capítulo da história do Heavy Metal foi escrito na “enciclopédia” deste gênero musical. A apresentação da banda Megadeth no Nordeste, que são considerados por muitos como os Deuses do Metal, foi capaz de atrair um público muito maior do que muitas pessoas esperavam. O local do evento, o Clube Português do Recife, ficou menor do que já parece ser para a multidão que compareceu para prestigiar a grande atração da noite. Noite esta que estava muito propícia, apesar do calor interno do recinto.

A noite “pesada” teve seu início com a apresentação da banda Cruor, veterana do Thrash Metal recifense. Wilfred Gadêlha (vocal), Jairo Neto (baixo), Túlio Falcão (guitarra) e Bruno “Bacalhau” Montenegro (bateria) foram os responsáveis pelo aquecimento do público para a atração principal da noite. E eles fizeram um trabalho digno no palco. No repertório, trouxeram músicas do recém-lançado CD DEMO “Unburied” (2010), alguns covers bastante conhecidos, bem como músicas de seu primeiro álbum “Insane Harmony” (1995).

A banda Cruor foi capaz de arrancar um coro da plateia, que gritava seu nome com muito entusiasmo. Eles respondiam no palco com muita energia e o vocalista Wilfred eventualmente dialogava de volta com agradecimentos. Foi um registro excelente de interação com o público.

Embora as músicas autorais da banda não sejam conhecidas por grande parte do público que esteve ali conferindo a apresentação deles, o Cruor levou a galera ao delírio com atuações sensacionais para os covers “Escape To The Void” (Sepultura) e “Postmortem” (Slayer), clássicos bastante conhecidos de todos.

Em nome da banda, Wilfred realizou alguns agradecimentos, onde ele demonstrou o respeito e o reconhecimento para várias pessoas e veículos informativos que manifestam o apoio para o engrandecimento e fortalecimento da cena do Metal na região, citando websites, blogs, jornais e demais envolvidos nesta epopeia. Foi um gesto de muita apreciação, que foi seguido de aplausos por parte do público. Este pequeno ato de gratidão representa muito para aqueles que divulgam a cena.

Cruor – Setlist do show (Tempo: 50 minutos)

01 – Intro
02 – Whitechapel
03 – Septem Sermones Ad Mortuos
04 – Slow Death Machine
05 – Escape To The Void (Sepultura)
06 – Not Today
07 – Tortura
08 – Under The Sun (música nova, lançada neste show)
09 – Postmortem (Slayer)
10 – Seca
11 – One Man’s Manifesto
12 – Insane Harmony

Muitas pessoas ainda estavam chegando ao Clube Português do Recife. O som interno ecoava o clássico “Burn” (Deep Purple), cantada por todo o público, que formava um contingente cada vez maior do que aquele que já se fazia presente.

O relógio marcava 22:55h, quase 1 hora de atraso do horário previsto para o início do show, quando as luzes internas se apagaram e, enfim, o momento tão esperado se aproximava.

Alguns detalhes curiosos eram perceptíveis: a presença no palco de um cronômetro digital que marcava o tempo de apresentação do show de modo regressivo (90 minutos); a ausência de caixas de retorno para os músicos; uma nova pintura do camarote do Clube Português do Recife; palco ampliado, de modo que os músicos pudessem se mover livremente; bebidas geladíssimas no camarote especial, onde serviam gratuitamente cerveja Heineken, refrigerante Coca-Cola e água mineral.

Ao som introdutório de “Black Sabbath” (Black Sabbath), um a um, os membros do Megadeth vão surgindo no palco para fazerem história no Nordeste do Brasil. Shawn Drover (bateria) é o primeiro a aparecer, seguido por Chris Broderick (guitarra), David Ellefson (baixo) e, finalmente, Dave Mustaine (guitarra, vocal). Todos foram ovacionados pela multidão.

Eles golpearam com “Skin O’ My Teeth” (Countdown To Extinction, 1992). Sem parar, soltam “In My Darkest Hour” (So Far, So Good… So What?, 1988) e, em seguida, “She-Wolf” (Cryptic Writings, 1997). Todas as músicas eram acompanhadas pelo público, aos berros. Esta atitude impressionou o líder da banda, Dave Mustaine.

Uma breve pausa para uma rápida saudação e para acalmar os ânimos da plateia ensandecida. O Metal God Dave Mustaine vai para um lado do palco, vai para o outro lado e pára no centro. Ele reverencia a todos os que estiveram presentes. Em resposta, a plateia respondia gritando o seu nome: Mustaine, Mustaine, Mustaine… O músico aplaude e é aplaudido de volta. Ele solta algumas palavras:

“Boa noite!… Muito bem… Eu quero agradecer a vocês por juntarem-se conosco esta noite. Esta é a primeira vez que tocamos em Recife e, até onde sei, somos os primeiros da BIG FOUR a virem aqui.” Mais vibração e mais aplausos.

“Acho que todos vocês sabem o motivo de estarmos aqui… Recife reconhece isto…” Ele solta o riff que dá início a apresentação na íntegra do maior de todos os trabalhos do Megadeth: Rust In Peace (1990). Deste modo, a “destruição” domina o Clube Português do Recife. E o público “insano” colabora para isso.

Embora o Megadeth esteja na América Latina para a turnê do novo álbum, Endgame, Dave Mustaine cumpriu o que havia desejado (ao menos neste show de Recife), mantendo a tour apresentada nos Estados Unidos, intitulada “Rust In Peace 2Oth Anniversary Tour”. Esta é a primeira de quatro apresentações em solo brasileiro. As próximas cidades serão Brasília (DF), São Paulo (SP) e Porto Alegre (RS).

Na quarta música do álbum, “Five Magics”, o vocalista interrompe a apresentação da banda para saber sobre as condições de alguém que aparentemente estava enfrentando algum tipo de problema, próximo à grade que fica entre o público e o palco, popularmente conhecido como “chiqueirinho”. Esta atitude foi recebida com muita admiração por parte do público. Felizmente, estava tudo bem e o show é retomado. Rodas de pogo foram novamente se formando entre o público.

Após a execução do álbum Rust In Peace, o Megadeth atacou com “Trust” (Cryptic Writings, 1997), “Head Crusher” e “The Right To Go Insane” (ambas do novo e aclamado álbum Endgame, 2009) e “Symphony Of Destruction” (Countdown To Extinction, 1992). Nesta última, a banda teve uma grande surpresa ao ver e ouvir o público inteiro entoar o nome Megadeth em conjunto com os riffs desta canção. Foi algo marcante. Foi também nesta ocasião que pudemos sentir alguns abalos no camarote do Clube Português do Recife.

A banda finaliza a apresentação e sai do palco. Um breve retorno era aguardado. Ao voltar, para a surpresa de todos, o baixista David Ellefson vestia uma camisa da Seleção Brasileira de Futebol, mas Dave Mustaine não trajava alguma. Era notável o seu “sofrimento” com o calor da noite recifense.

Ainda havia tempo para mais duas músicas e “Peace Sells… But Who’s Buying?” (do álbum homônimo, 1986) fez o público cantar novamente com a banda, que finalizou a apresentação com a reprise de “Holy Wars… The Punishment Due” (Rust In Peace, 1990), desta vez, a partir do solo. Foi neste momento em que o vocalista Dave Mustaine apresentou a banda ao público.

Por fim, ele agradece mais uma vez pela presença de todos, lança o comentário de um breve retorno à cidade e se despede com as palavras “Vocês foram ótimos. Nós fomos Megadeth.”

Foi tudo muito rápido. Quem compareceu, não apenas prestigiou como também testemundou a apresentação de mais um ícone do Heavy Metal em solo nordestino. Quem não foi, perdeu. E perdeu feio! Este show ficou marcado pela grande exaltação entre os amantes deste gênero musical. Era possível conferir expressões de grande contentamento do público.

A produção deste evento, que ficou ao encargo das empresas Raio Lazer e Time For Fun, deu um show de qualidade e competência, reforçando a ideia de que o Nordeste está mais do que preparado para receber grandes atrações. Temos também o diferencial da hospitalidade, mas esta é uma característica congênita do povo brasileiro. O proximo “sonho de consumo do headbanger nordestino” é torcer para, assim seja, a vinda da banda mais agurdada da BIG FOUR: Slayer. Já mostramos que merecemos. Iron Maiden e Megadeth que o digam!!!

Megadeth – Setlist do show (Tempo: 90 minutos)

01 – Skin O My Teeth
02 – In My Darkest Hour
03 – She-Wolf
04 – Holy Wars… The Punishment Due
05 – Hangar 18
06 – Take No Prisoners
07 – Five Magics
08 – Poison Was The Cure
09 – Lucretia
10 – Tornado Of Souls
11 – Dawn Patrol
12 – Rust In Peace…. Polaris
13 – Trust
14 – Head Crusher
15 – The Right To Go Insane
16 – Symphony Of Destruction

ENCORE

17 – Peace Sells… But Who’s Buying?
18 – Holy Wars… The Punishment Due (Reprise, a partir do solo)

NOTA DO REDATOR

Tivemos algumas complicações (desorganização?) no que diz respeito ao credenciamento para a imprensa (ou parte dela). Houve também uma certa restrição imposta aos fotógrafos, pois a área que é destinada aos mesmos, o “chiqueirinho”, estava liberada apenas para sete pessoas, segundo as informações passadas pelo “simpático” responsável pela segurança do show. Mas parte da imprensa não foi informada sobre este fato previamente.

Deixamos aqui, como de costume, os nossos sinceros registros de agradecimentos ao pessoal da Raio Lazer, Aponte Comunicação, Whiplash.net, Rust In Page e por último, mas de igual importância, a banda Cruor.

De igual modo, registro os meus agradecimentos e saudações para um sem-número de pessoas que nos apoiaram para esta iniciativa. É desnecessário mencionar cada uma delas aqui, pois estas pessoas sabem quais elas são. Ainda assim, destaco o apoio incondicional do amigo/irmão Paulo Peterson (Custódia, PE, responsável por minha incursão ao grupo de colaboradores do Whiplash.net) e de outro grande amigo Sergio Maiden (Recife, PE). Deixo também registradas minhas saudações mais que especiais aos amigos Leila Toscano (João Pessoa, PB), Katalynse (Campina Grande, PB), Adriano Dio (Natal, RN) e Marcelo de Carvalho (Fortaleza, CE). Estes outros amigos foram responsáveis por engrandecer o espetáculo, realizando ou apoiando caravanas de outros estados.

Como forma de desabafo, registro aqui também o meu comentário para algumas pessoas que duvidaram de nossos relatos, desde o início da divulgação deste evento (este ano), onde tive a oportunidade de divulgar em primeira mão, juntamente com o meu parceiro de cobertura Rubens Gusman, uma vez que se confirmou a realização do show (havia já um rumor sobre o show da banda desde o ano passado, onde teríamos o Megadeth em março de 2010, mas foi cancelado). Em resumo, tais pessoas julgaram o trabalho do blog como “oportunista” (os reais comentários são impublicáveis). É certo que foi bastante complicado divulgar sobre este show de modo antecipado. Enfim, o show aconteceu e, como disse um grande amigo, “estou de alma lavada”.

MUITO OBRIGADO A TODOS


Entrevista: Bobby “Blitz” Ellsworth (vocalista do Overkill)

29, março, 2010

Bobby "Blitz" Ellsworth (vocalista da banda Overkill)

O blog JOSCO WEBLOG recentemente fez a cobertura oficial para o show da banda Overkill em Recife (PE), realizado no salão de festas do Sport Club (aguardem ainda nesta semana pela publicação online da matéria do show). Após o espetáculo, tivemos a grata oportunidade de ter um momento com o frontman da banda, o Sr. Bobby “Blitz” Ellsworth.

É importante lembrar que a imprensa não estava autorizada a registrar fotos ou vídeos de nenhum dos membros da banda, mas a produção deles foi informada previamente que se tratava de uma cobertura oficial da própria produção local do show. Partimos desta premissa e conseguimos uma brecha para realizarmos esta pequena entrevista com o vocalista.

O blog agradece o apoio da produção do show em Recife (João Marinho e Marcelo de Carvalho), com a qual realizamos parceria na divulgação dos eventos realizados. Eles nos permitiram este encontro exclusivo, nos dando a oportunidade de trocar algumas palavras com o músico de uma forma bastante descontraída e bem animada, ainda que rápida.

Confira abaixo como foi este encontro com Bobby “Blitz” e a conversa que tivemos com ele.

JOSCO WEBLOG Bobby, em primeiro lugar, seja bem vindo ao Recife.

BOBBY “BLITZ” Obrigado! (Em alto e bom português. Mas esta era a única palavra que ele conseguia pronunciar, pois toda a entrevista aconteceu em inglês mesmo.)

JOSCO O novo álbum, Ironbound, se tornou um grande sucesso em todos os lugares. Tanto a imprensa quanto os fãs concordam com isso. Voce esperava este tipo de reação positiva?

BOBBY Eu não sei. Não podemos dizer que não esperávamos. Acredito que o que nós fazemos seja apenas negócios, como de costume. Acho que uma das coisas com o Ironbound que acaba sendo única é que há uma energia especial, mas você não pode planejar. Isto só acontece quando rola uma química entre a banda. E isto, claro, é o que acontece. Acho que Overkill seja uma das bandas mais consistentes há mais de vinte e cinco anos. Mas o fato da banda atingir o sucesso (ou não) não depende de nós. Esta resposta está sempre nas pessoas que a ouvem. Então, é claro, deve haver algum tipo de energia especial e mágica nela. E esta deve ser a responsabilidade. Mas, para nós, não criamos esta expectativa de uma forma ou de outra. Nós sempre achamos que iremos atingir (o sucesso). É por isso que você joga o jogo. Você joga para ganhar.

JOSCO Após todos esses anos com a banda, como é estar novamente em turnê?

BOBBY É ótimo. Quer dizer, na turnê, pessoalmente para mim, é quando tudo começa. É quando estamos em um show ao vivo. É quando a música é mais pura. Você tem a oportunidade de suceder ou falhar, de um momento para o outro. E acho que é isso que faz estar numa turnê ser algo excitante. Não que seja normal ou comum, mesmo quando você já fez tantos shows. A gente se sente como se estivesse tomando os riscos, levando a vida com as suas próprias mãos! É por que você sucede ou falha, de uma noite para a outra. Então, eu ainda gosto muito disso.

JOSCO O que você poderia dizer sobre esta mini turnê pela América do Sul, que termina hoje aqui em Recife, correto?

BOBBY Sim, sim! América do Sul, quatro show. Começou em Santiago (Chile), Buenos Aires (Argentina), São Paulo e agora Recife. É realmente ótimo descer aqui, por que em nossos vinte e cinco anos estivemos no continente por apenas duas vezes.

JOSCO E esta é a primeira vez no Nordeste do Brasil.

BOBBY Sim! A primeira vez em Recife; primeira vez em Buenos Aires; primeira vez no Chile. Então, é sempre excitante ser capaz de sentir como se você estivesse fazendo algo novo.

JOSCO Quase trinta anos e tão poucos shows na América do Sul…

BOBBY A culpa não é nossa! É verdade! O problema que tivemos com isso, talvez, em vinte e cinco ou trinta anos – tivemos apenas nove turnês agendadas, é que (os shows) são cancelados pelos promotores. (risadas) Não é culpa nossa!

JOSCO Qual a sua visão para a cena atual do Thrash Metal pelo mundo?

BOBBY Bem, me parece muito saudável no momento. Muito do que vejo eu gosto. Há mais de duas gerações envolvidas de uma forma geral.

JOSCO Eu diria três.

BOBBY Eu diria três também. E acho que isso é uma coisa legal. Então, sabe, você vê os pais, as filhas, as mães, os filhos, todos indo para os shows…

JOSCO Até mesmo crianças! (Algumas famílias se reuniram para assistirem ao show juntas e algumas delas tiveram a chance de tirar algumas fotos com a banda.)

BOBBY Crianças? Ah, sim. Acabamos de ter algumas delas aqui no camarim com os pais. E elas… Para cada uma das fotos que tiraram, elas mostraram os chifres duplos… hahaha. (O sinal característico do Heavy Metal, onde temos a mão fechada com os dedos mínimo e indicador apontados para cima.)

JOSCO Isto é ótimo, não?

BOBBY Então, é por isso que acho saudável que a cena transcende estas tantas gerações.

JOSCO Você tem algum plano para o futuro, um futuro próximo para a banda?

BOBBY Ah, tem, sim. A turnê americana inicia uma semana após a nossa chegada em casa (Estados Unidos), que vai durar até maio. Em seguida, teremos os festivais europeus. Aproximadamente doze feztivais europeus, Japão, Austrália e depois tem a segunda rodada pelos Estados Unidos e uma segunda rodada pela Europa. Então, estaremos agendados até o Natal.

JOSCO Até o Natal?

BOBBY Sim. Este é o nosso plano. Mas não ficaremos em turnê o tempo todo. Faremos shows a cada mês. Sairemos por um mês, então teremos um mês de férias e saimos de novo por outro mês ou algo assim.

JOSCO Bobby, muito obrigado pelo seu tempo em responder a estas questões.

BOBBY Ei! Obrigado a você, Brasil. “OBRIGADO”!

JOSCO Você deixaria uma pequena mensagem para os fãs?

BOBBY Sim. É sempre muito bom poder estar no Brasil. Uma das coisas mais legais sobre isso é que sempre nos sentimos como se estivéssemos na Capital do Thrash Metal. Headbangers realmente muito sérios.

JOSCO Como é bom ouvir isso!

BOBBY “Horns up!”

JOSCO & Bobby "Blitz" Ellsworth durante a entrevista para o blog

Matéria: Carmetal 2010

10, março, 2010

O EVENTO

O primeiro festival de Metal underground na cidade de Recife após o Carnaval 2010, Carmetal (em alusão às festividades de Momo, realizado mais tarde este ano devido à indisponibilidade do local), aconteceu no último sábado, 05 de março. O Teatro Armazém 14, tradicional acolhedor dos “camisas pretas” em Recife, foi palco para as seguintes bandas, em sequência de apresentação:

Cangaço (PE) http://www.myspace.com/cangacometal
Inner Demons Rise (PE) http://www.myspace.com/innerdemonsofficial
Decomposed God (PE) http://www.myspace.com/decomposedgod
Malefactor (BA) http://www.myspace.com/malefactorbrazil
Expose Your Hate (RN) http://www.myspace.com/exposeyourhate

A organização do evento ficou sob a responsabilidade do produtor Leo Frias e contou com apoio do Alive Studio (Estúdio de Gravação Profissional – 81 3062-5493) e The Burn Productions (Artes Gráficas). O carismático Leo é conhecidíssimo e muito querido do público recifense, em virtude dos grandiosos eventos do gênero que ele realiza.

DIVULGAÇÃO ONLINE

Para viabilizar esta realização, a produção encontrou soluções através do uso ampliado da Internet. Esta prática está sendo cada vez mais comum em eventos deste porte, devido ao baixo custo e facilidades oferecidas pelos diversos recursos encontrados na rede mundial de computadores. Esta é uma tendência que vem sendo expandida a tudo o que estiver ralacionado com publicidade, em qualquer parte do globo.

Em Pernambuco, por exemplo, uma das ferramentas mais utilizadas para a difusão dos festivais é a rede de relacionamentos Orkut, através da comunidade Metaleiros-PE (Metaleiros, a propósito, é o nome popularmente dado aos headbangers, o fiel público do Heavy Metal).

JOSCO WEBLOG é outra ferramenta de divulgação da cena nacional. Um canal local que vem  se destacando pela sua atuação em gêneros musicais distintos, mas que possuem alguma ligação em comum, como o Blues, o Rock And Roll e o Heavy Metal.

PROMOÇÃO INÉDITA E EXCLUSIVA

JOSCO WEBLOG efetivou parceria com o Carmetal 2010 e, a partir da proposta de uma ideia inédita, em conjunto com a produção e algumas das bandas da noite, uma promoção exclusiva foi realizada como forma de valorizar ainda mais o evento. Embora feito de última hora, a iniciativa mostrou-se bastante propícia e contou com o apoio dos headbangers que atuam na região, sendo bastante comemorada por todos.

A promoção escolheu as melhores frases para a pergunta:

Qual a importância do Carmetal para a cena do Heavy Metal em nossa região?

O Carmetal se tornou uma referência de bons shows durante os tempos de Carnaval. É uma oportunidade para rever os amigos e apoiar as bandas que fazem o movimento do Metal. É também uma forma oportuna para aqueles que desejam fugir da folia. Este evento mostra que a Capital do Frevo, em seu ápice comemorativo, “abre alas” também para o Heavy Metal, propagando a diversidade cultural publicamente manifestada.

Com esta ideia, foi conferido ao músico Risaldo Silva (Sinfônica Jovem do Conservatório Pernambucano de Música, Unscarred, Firetomb) o 1º Lugar na promoção que teve como recompensa entradas gratuitas e CDs das bandas Cangaço, Inner Demons Rise e Decomposed God.

Segue abaixo a relação completa dos cinco ganhadores e seus respectivos prêmios:

1º LUGAR Risaldo Silva (1 ingresso Carmetal 2010)
2º LUGAR Bruno Manfred Schmidt (1 ingresso Carmetal 2010)
3º LUGAR Viviane Nihilisme (1 CD Álbum Decomposed God)
4º LUGAR George Henrique (1 EP+DVD Inner Demons Rise)
5º LUGAR Mirella Belarmino de Figueirêdo (1 CD DEMO Cangaço)

CANGAÇO

A mais recente banda de Metal de Recife é um trio. O lineup conta com Arthur Lira (bateria, ex-Preatcher, ex-Masterdome), Rafael Cadena (guitarra e vocal, ex-Vectrus) e Magno Lima (baixo e vocal, ex-Vectrus). Os experientes da Cangaço iniciaram o festival logo após alguns ajustes de som. Com eles, estava também no palco o seu símbolo inusitado: um lampião (ou candeeiro, como é mais conhecido por estas bandas).

Embora os caras incendiassem o palco com o seu som ardente, muitas pessoas ainda se encontravam do lado de fora. De certo modo, isto era bastante animador para o evento, visto que, na cidade, acontecia o Festival de Verão do Recife, um festival que atrai multidões.

A banda ousou em lançar uma mistura de elementos da sonoridade do Sertão nordestino com o Metal. Mas isto não causa espanto. O nome da banda já diz tudo. O Cangaço conseguia chamar a atenção do público a cada música apresentada. O trio já havia empolgado com sua participação recente no festival PRE-AMP e nesta noite não foi diferente. Era notável a presença de alguns fãs que eles já haviam conquistado.

O momento interessante do show foi durante a apresentação da banda pelo vocalista e baixista Magno. Não seria algo notável se não fosse pelo fato de que raramente as bandas da região desferem este contato com o público. É uma interação válida. Faz com que as partes se aproximem ainda mais, não apenas pela união do gosto musical.

Os “moços” desta banda agradam a todos e, embora experientes, surgem como a nova revelação do Metal em Recife. Uma promessa de sucesso. O entrosamento dos músicos não dispensa novas adaptações. E eles estão no caminho certo.

INNER DEMONS RISE

A segunda banda a se apresentar nos traz novamente ao palco Magno Lima (baixo, Cangaço). Com ele, também sobem Alcides Burn (vocal), Paulo André e Miguel Dantione (guitarras) e Osvaldo Magno (bateria). Eles formam a Inner Demons Rise (IDR). Uma banda nova, com pouco mais de um ano de existência. Nos palcos, este período cai para 9 meses. Mas seus membros já estão na ativa há algum tempo, através de outros trabalhos.

A IDR teve alguns momentos de tensão devido a falhas técnicas de som durante sua apresentação. Isto não ofuscou a performance deles, que superaram os percalços com grande facilidade. Eles vieram apresentar músicas de seu EP Drachenorden. Um trabalho muito bem elaborado.

A banda oferece uma qualidade técnica apurada e seus músicos são impecáveis no quesito apresentação. A animação intensa e excitação vindas dos bangers que se encontravam diante do palco renderam ao IDR bons momentos no Carmetal 2010. E o vocalista Alcides deixava isto claro em suas declarações para o público.

Apesar do pequeno incidente com o vocalista, que machucou o rosto levemente com uma pancada do contra-baixo, a atuação da banda  agradou e este show foi um “aperitivo” para o Abril Pro Rock, para o qual eles irão compor o cast da edição 2010.

Os músicos estão de parabéns pelo desempenho mostrado e o profissionalismo com o qual encararam o desconforto gerado pelas falhas de operação sonora.

DECOMPOSED GOD

O Teatro Armazém 14 desta vez recebe no palco Andre Valongueiro (vocal), Marco Duarte (guitarra), Jean Marcel (baixo) e Wagner Campos (bateria). Todos eles são grandes conhecidos e compõem a formação da Decomposed God (DG). A experiência da banda foi somada com o recente show em João Pessoa, durante o 10 InToca Metal Fest, evento que também contou com cobertura oficial realizada por JOSCO WEBLOG.

O público presente já aguardava por um grande show pela frente, carregado de habilidade da parte dos músicos. Apesar da competência da banda, ficou evidente que a equipe técnica de som ainda não havia encontrado a solução em definitivo para o problema que, com menos intensidade, também afetou na qualidade sonora durante a performance deles. Mas é verdade que desta vez houve alguma melhora.

Assim como aconteceu com a Inner Demons Rise, a banda Decomposed God não se abalou com isso. Eles fizeram uma apresentação impecável, tendo como grande destaque a performance “acrobática” de Wagner, que é atualmente considerado por muitos o melhor baterista de Heavy Metal do estado. E ele faz por onde merecer o título.

Na metade do show, o vocalista abre espaço para um diálogo com o público. Ele também conta um pouco da história da banda, falando de sua trajetória de sucesso. Aproveita para lembrar que em 24 de março seguem para Europa, onde passarão por diversos países. Ele finaliza com um emocionante agradecimento a todos que apoiaram a banda em seus anos de existência, seguido de aplausos da platéia.

Após uma apresentação marcante, o show chega ao seu fim. O longo tempo de espera por uma apresentação da banda “em casa” valeu a pena. Eles cumpriram a missão de uma excelente performance, apesar das complicações já relatadas. A platéia parecia não acreditar que já havia terminado, pois estavam com a expressão de avidez por mais músicas. Mas outras bandas ainda aguardavam suas apresentações.

MALEFACTOR

A penúltima banda do festival levou bastante tempo para entrar em cena. Malefactor, quinteto do Heavy Metal baiano com experiência internacional, é formado por Lord Vlad (vocal), Chris Macchi (teclados), Danilo Coimbra e Jafet Amoedo (guitarras) e Alexandre Deminco (bateria). Eles não poderiam contar nesta noite com a participação do Roberto Souza (baixo), que esteve ausente em decorrência de um acidente, em Salvador, como anunciou o vocalista Lord Vlad. Felizmente, ele passa bem.

No Armazém 14, as pessoas presentes já se encontravam aquecidas pelas bandas anteriores (e por causa da temperatura interna que estava elevadíssima). Foi, então, quando a Malefactor soltou seus primeiros acordes.

A banda conseguiu empolgar com o seu Unholy Metal. O quinteto de gigantes fez o palco parecer pequeno para eles. O porte energético somado ao peso de sua sonoridade foram os truques usados para arrebatarem os bangers do chão.

Eles apresentaram um set list repleto de sucesos ao longo de sua carreira e chegaram ao cume coroados com a interpretação da majestosa “Centurian“.

Mais adiante, a apresentação solo do guitarrista Danilo Coimbra interrompeu o show da banda e o agito do público. Veio em um momento certo e foi a oportunidade para um revigoramento.

A Malefactor faz bonito, levando o público ao êxtase. Embora com um som menos agitado, em comparação aos estilos apresentados pelas outras bandas, eles cativaram o público que comemorou com muito vigor.

EXPOSE YOUR HATE

Já era muito tarde quando a última banda do festival, enfim, surge para sua performance. O quarteto veio do Rio Grande do Norte e é composto por Luiz Cláudio (vocal), Flávio França (guitarra), Cláudio Slayer (baixo) e Marcelo Costa (bateria). Eles formam a Expose Your Hate (EYH), banda com predominância entre os estilos Grindcore e Death Metal.

Embora já muito tarde (passavam das 04:00h), a EYH lançou uma fúria desenfreada com suas músicas e o público que restou realizou uma grande fuzarca em frente ao palco.

A identidade musical desta banda é espetacular, incapaz de deixar a mínima sensação de ordem por onde quer que eles passem. Esta atitude agradou até mesmo a quem não conhecia a banda.

Quanto aos fãs, aguardar o fim do festival rendeu momentos de contentamento extremo. Que o diga George Henrique (um dos ganhadores da promoção e participante ativo da comunidade Metaleiros-PE). Seguramente, esta foi a sua noite de glória!

Mas a banda toda “se comportou” muito bem. Os músicos já possuem uma boa experiência de palco e não encontraram dificuldades para fechar a noite com ainda mais fervor em seu ritmo.

O blog aponta como destaque do Carmetal 2010, e não resta o mínimo de dúvida, o vocalista Luiz Cláudio que, mesmo com o perceptível cansaço e sono, após horas de muito calor e apesar do pouco público, não se desanimou em momento algum e mais: teve uma postura muito profissional, realizou uma excelente performance, dialogou com o público, agradeceu a produção e, ainda, esbanjou humildade e simpatia. Mas não poderíamos esperar outra coisa. Sua maturidade musical, por si só, atua em favor desta façanha.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Assim conclui-se a edição 2010 do Carmetal. Um evento que já se tornou tradição em Recife e certamente encontra-se incrustado no calendário do Metal em Pernambuco.

O Carmetal 2010 ficou marcado pelo alto nível das bandas escolhidas para o cast desta edição. Não houve estrelismo de qualquer espécie, apesar de podermos considerar como headliners os Decomposed God, Malefactor e Expose Your Hate, representações de Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Norte, respectivamente. Este foi um evento que reafirmou uma grande celebração entre músicos e headbangers. A oportunidade perfeita para os amigos se encontrarem e discutirem assuntos relacionados com o Metal e suas afinidades.

É imprescindível registrar o apoio técnico de músicos locais como Beto Silva (Infested Blood – ele que também auxiliou no 10 InToca Metal Fest), Luciano Silva (Unscarred, Firetomb), e Ozzy Mignot (Moria, PussyHouse).

Deixo o meu comentário particular de agradecimento pelo apoio e disposição incomensuráveis do produtor Leo Frias, por seu crédito para os trabalhos do JOSCO WEBLOG e principalmente por suas manifestações de atenção e respeito. Parabéns por mais esta contribuição tão valiosa ao Heavy Metal.

O público mais uma vez marcou presença, dando o seu apoio para que a cena se mantenha ativa. Mas consta que muitos outros não compareceram. Ainda falta muito para que a realidade musical em curso seja convertida em ideal. Muitos estão fazendo a sua parte.

Um exemplo curioso: houve um indivíduo que aparentemente nada tinha a ver com o movimento. Um desconhecido, talvez. O certo é que ele foi o, digamos, destaque entre os que ficaram para a apresentação dos Expose Your Hate. Ele deu um belo exemplo de como curtir um show, de como mostrar o seu apoio, fazendo melhor do que muitos que, em vez de ajudar, eventualmente causam contratempos. Afinal, ele estava lá!

[FOTOS] CANGAÇO

[FOTOS] INNSER DEMONS RISE

[FOTOS] DECOMPOSED GOD

[FOTOS] MALEFACTOR

[FOTOS] EXPOSE YOUR HATE

[FOTOS] EXTRA

Carmetal 2010 (JOSCO e os Vencedores da Promoção)

Carmetal 2010 (Quem é este indivíduo?)

Resenha: 10 InToca Metal Fest (21/02/2010, João Pessoa, PB)

27, fevereiro, 2010

10 InToca Metal

A VIAGEM

O ônibus com a produção, bandas, convidados e imprensa partiu do Recife (PE) rumo à João Pessoa (PB), ao final de uma manhã de domingo ensolarada. Realizou um breve stop  na cidade de Igarassu para a subida do redator desta metéria (eu!), que partiu da Ilha de Itamaracá exclusivamente para realizar a cobertura oficial do festival, a convite da produtora Júlia Claudino.

A viagem foi bastante animada e tranquila, onde os passageiros puderam curtir alguns video clips de Heavy Metal exibidos nos monitores instalados nas dependências do veículo, que, a propósito, era bastante confortável.

Mais adiante, uma nova parada. Desta vez foi para abastecer a todos com um almoço. Este tipo de viagem é muito válido, pois aproxima ainda mais as pessoas, gerando uma ótima integração entre todos, onde é possível colocar as conversas em dia, estabelecer novas amizades e fortalecer os contatos.

10 InToca Metal

10 InToca Metal

O LOCAL

O relógio marcava um horário além das 14:00h quando o ônibus que nos levava chegou à capital paraibana. O venue escolhido foi a casa de shows InToca, localizada privilegiadamente no sítio histórico pessoense. É um cantinho rústico e muito bacana.

Pequeno, mas com salão coberto e provido de várias janelas que garantem uma boa ventilação, o espaço dispõe de bar com mesas e cadeiras na área externa, banheiros (feminino e masculino) e uma sala que serve de camarim improvisado.

Por trás do recinto, é possível conferir uma bela vista para o Rio Sanhauá, que banha o Porto do Varadouro, popularmente conhecido como Porto do Capim.

10 InToca Metal

O EVENTO

A produção do evento foi encubida pela também headbanger Júlia Claudino e foi co-produzido por Eduardo Correia, da produtora de vídeo profissional Preview. Este evento faz parte de um projeto chamado Nordeste Underground Scene, uma extensão do Recife Underground Scene, bem conhecido dos recifenses.

O título para este festival, 10 InToca Metal, partiu da premissa original do evento, que teria duração de 10 horas em cada data, entre os shows e outras atividades.

10 InToca Metal

10 InToca Metal

A produção não mediu esforços para o festival no quesito aparelhagem, que contou com excelentes equipamentos de som, iluminação de palco e um projetor que exibia vídeos de bandas de diversos estilos do Metal. Estas facilidades agradaram a todos, principalmente às bandas.

O cast da noite contou com a participação de grupos provenientes da cidade de Recife, Pernambuco, e com um único represente do estado da Paraíba, vindo de Campina Grande.

A SCARY FAIRY TALE

A Scary Fairy Tale

A Scary Fairy Tale

A Scary Fairy Tale

Já era noite quando o evento teve o seu início. A primeira banda a entrar em cena foi A Scary Fairy Tale, cujo estilo, focado no Deathcore, mistura influências que vão desde o experimental ao Thrash Metal. O line-up da banda apresenta Lucciano Lisboa (vocal), Phill Santos e César Reynaux (guitarras), Bruno Santos (baixo) e Leo Silva (bateria).

Com um visual mais “à vontade”, onde é impossível não notar o galego César Reynaux, a banda mostrou uma performance muito estimulante e cheia de personalidade.

A Scary Fairy Tale

A Scary Fairy Tale

Eles realizaram um ótimo show de abertura com sua forma peculiar de apresentação. Lucciano conseguiu agitar o público que ainda estava tímido em frente ao palco, surpreendendo com o seu vozeirão.

Entre os membros, o destaque ficou por conta de Leo Silva, cujo trabalho de baterista é normalmente o menos visado do público, devido à sua localização no palco. O Leo se impôs com muita determinação, justificando o título que lhe foi conferido.

EVIL FORCE

Evil Force

Evil Force

Evil Force

A banda seguinte, Evil Force, foi a única representante da Paraíba nesta edição do evento. O grupo já se apresentou em Recife, em dezembro de 2008, quando dividiram o palco com a amazonense Glory Opera.

Com uma formação composta por Ana Sontag (vocal), Eduardo Sontag e Thiago Lira (guitarras), Isaac Dinoá (baixo) e Johnny Douglas (bateria), a banda apresentou um grau maior de maturidade, devido a experiência adquirida ao longo do tempo.

Evil Force

A Evil Force desponta como uma das revelações do Hard Rock paraibano. A performance da banda teve como destaque a bela vocalista Ana Sontag, de voz cativante e que demonstrou uma maior segurança no palco.

O estilo da banda possui uma levada mesclada entre o Heavy Metal clássico e o Hard Rock contemporâneo. A banda agradou bastante e levou um maior número de pessoas diante do palco, especialmente durante a música “A Word To Say”, onde houve uma boa troca de energia e vibração constante com o publico, que acompanhava os músicos.

RABUJOS

Rabujos

A plateia já encontrava-se “aquecida” quando os integrantes da banda Rabujos subiram ao palco. O quarteto formado por Jaka (vocal), Diego (baixo), Rodrigo (guitarra) e Carlos (bateria), trouxe um som carregado de atitude, em uma bela apresentação do mais autêntico Grind Core.

Os Rabujos agitaram em todas as músicas apresentadas e conseguiram estabelecer uma roda de pogo em frente ao palco. Mas, ainda assim, eles nunca estão satisfeitos com o que quer que seja, nem mesmo com o seu instigante poder sonoro.

Rabujos

Rabujos

Jaka bradou ao público toda sua fúria através de suas músicas subversivas e, em um determinado instante, desceu do palco e se juntou aos demais na roda. Foi um dos momentos mais marcantes da noite.

Rabujos apresentou um repertório com músicas já consagradas em sua carreira e também as novas “Exílio” e “Hiena”, ambas da coletânea Terra Batida, culminando com um belíssimo cover do Napalm Death, “Suffer The Children”, bem recebido por todos.  A forte presença de palco e voz aguçada conferiram ao Jaka o destaque da apresentação.

Rabujos

DECOMPOSED GOD

Decomposed God

A noite chegou ao seu apogeu com a entrada da banda tida como headliner para esta edição do festival: Decomposed God. Sobem ao palco o quarteto formado por André Valongueiro (vocal), Marco Duarte (guitarra), Jean Marcel (baixo) e Wagner Campos (bateria) para desferirem sua carga sonora de destruição.

O Decomposed God foi praticamente a única banda a ter feito a passagem de som por completo, e os caras são minunciosos nesta questão. Cada um deles fez os testes necessários para que tudo ocorresse da melhor forma possível.

Decomposed God

Não seria errado dizer que a base sonora da noite do festival se deu pelos ajustes iniciais incorporados pela banda, que também contaram com a primordial ajuda dos técnicos de som.

Competência técnica e profissionalismo a banda tem de sobra e eles mostraram isso no palco. Não foi  por menos que o Decomposed God foi eleita a melhor banda de 2009, através de escolha popular, divulgada na Coluna Lapada, do jornalista e músico Wilfred Gadêlha.

Decomposed God

Seria injusto mencionar um único membro como destaque. Em vez disso, irei apontar algumas características apresentadas por cada um deles: A forte presença de palco e voz gutural estarrecedora do André é exibida juntamente com sua marca registrada, onde ele desfere tapas na cabeça, lembrando uma atitude de protesto; Wagner praticamente destrói a bateria com sua batida forte e cadência espetacular; Jean abusa de belas linhas de baixo e presenteia o público com um solo durante a instrumental “Despiser Of Icons”; Marco levou a plateia ao delírio com os pesadíssimos riffs de sua Washburn.

Decomposed God

Decomposed God

Quem esteve ali presente teve uma ótima oportunidade de conferir o que esta banda irá apresentar pela Europa, em abril deste ano, quando farão a Bestiality Over Europe Tour. O set list executado pela banda foi praticamente o mesmo que eles tocarão na tour, com ênfase nas músicas do já aclamado álbum “Bestiality”. Este álbum também foi mencionado na lista dos melhores de 2008, da Coluna Lapada, onde obteve a 7ª colocação, desbancando Conquer (Soulfly), The Crucible of Man (Iced Earth) e Southern Storm (Krisiun).

Decomposed God

AHRIMAN

Ahriman

O festival prossegue com a participação da banda Ahriman, que também esteve no Recife Underground Scene, em novembro de 2009. Sobem ao palco Pedro (vocal), Edgar (guitarra), Phill (bateria) e Leandro (baixo). Os caras não são de muita conversa e, sem demora, iniciam a sua apresentação.

Eles exibem uma sonoridade Death Metal rápida e muito bem trabalhada. A versatilidade das composições se estende para os músicos.

Ahriman

Ahriman

A técnica apurada de Edgar lhe confere o destaque durante a apresentação da banda, dividindo esta mesma posição com Pedro, que denota uma “cara de poucos amigos” e impele uma presença de palco feroz.

A banda entoou músicas de seu trabalho recente, Apology For Destruction (2009), que foram interpretadas com vigor e recebidas com entusiasmo pelo público que prestigiava. A surpresa ficou por conta da apresentação da inédita, “I Must Kill My Enemies”.

Eles fecharam com o cover “Stripped, Raped And Strangled”, de uma de suas influências, a americana Cannibal Corpse, que foi o suficiente para gravarem na mente dos bangers o potencial que eles ostentam.

Ahriman

NOBB

Nobb

Nobb

O 10 InToca Metal chega ao fim desta edição com a presença no palco da banda Nobb. Formada por Edson Baros (vocal), Blico e Renato Carvalho (guitarras), Couto (baixo) e Flavio Santos (bateria), eles apresentam-se com um estilo meio confuso, misturando diversas de suas influências, onde passam pelo Death e Thrash Metal e o Grind Core.

Como acontece em todo festival onde se apresentam diversas atrações, infelizmente, o público naquele momento era de número pequeno, mas que se mostraram ativos e compartilharam com a Nobb um momento de extrema brutalidade, musicalmente falando.

Nobb

A performance “violenta” do baterista Flavio lhe conferiu a menção de destaque da banda, onde ele demonstra um domínio fantástico das baquetas. Mas a banda toda se mostrou perfeita dentro do que lhe competia no palco do InToca Bar.

Eles mostraram-se categóricos e sem exageros. Estão de parabéns por suportarem a situação crítica que é a de fechar um evento de longa duração e com diversas outras bandas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

• A produtora Júlia, como sempre vem fazendo em seus eventos, demonstra um imenso respeito pelas bandas ao simplesmente realizar a apresentação delas, o que nem sempre é possível conferir em eventos desta classe.

• Congratulações vão para a equipe técnica de som, pelo profissionalismo apresentado a todo instante e atenção dedicada às bandas. Eles fizeram um trabalho excepcional e todos os músicos elogiaram a qualidade sonora.

• Aplausos seguem para os seguintes membros de outras bandas que também marcaram presença nesta edição do festival: Jairo (Cruor), Beto (Infested Blood) e Alcides (Inner Demons Rise). Esta homenagem é justa, pois se deve ao fato de eles prestarem apoio técnico a todas as bandas que se apresentaram, em tudo o que fosse possível, desde o momento em que chegaram ao InToca Bar.

• O pequeno contingente de público registrado em João Pessoa, ao que parece, não é uma exclusividade dos eventos underground em Recife. Este mesmo problema é enfrentado em tantas outras cidades, por todas as regiões do Brasil.

NOTÍCIA TRISTE… COM FINAL FELIZ

Segundo nota publicada aqui mesmo no JOSCO WEBLOG, em postagem anterior (vide aqui), o festival 10 InToca Metal foi descontinuado. O motivo pertinente: ausência de público.

Parece brincadeira, mas é a mais pura verdade. Após esta narrativa, onde procurei relatar com exatidão alguns dos momentos presenciados no festival, é lamentável que eu tenha que finalizar a matéria deste modo.

Mas o Heavy Metal não será desprezado ao extremo. Enquanto expresso estas palavras, existe um movimento em atividade na cidade de Recife, voltado para que este festival tenha uma continuidade na primeira oportunidade disponível. Tudo indica que o Recife Underground Scene (RUGS) assumirá o lugar que fora destinado ao 10 InToca Metal Festival.

É possível que novas bandas sejam introduzidas ao cast, devido ao fato de algumas das convocadas para o 10 InToca já terem participado de alguma edição anterior do RUGS. Ficamos no aguardo de mais notícias, na esperança de que tudo ocorra da melhor forma possível.

JOSCO Weblog estará diretamente envolvido nesta iniciativa, dedicando o apoio necessário para que a produção do evento consiga atingir o seu objetivo.

FORÇA SEMPRE AO HEAVY METAL

A equipe do blog JOSCO Weblog, imparcial diante de uma discussão crítica acerca do festival 10 InToca Metal, tem a honra de abrir espaço para a publicação das palavras de uma das pessoas mais respeitadas na cena do Metal regional.

Fica aqui, portanto, os nossos mais sinceros agradecimentos pela disposição no fornecimento dos comentários a seguir.

DEPOIMENTO DE UMA HEADBANGER

Com relação aos problemas referentes à realização do evento, quero deixar claro primeiramente que não estou aqui levantando bandeira para João Pessoa e criticando qualquer coisa que venha de Recife, pois odeio bairrismo. Quero parabenizar Julia (idealizadora do Festival) pela iniciativa, dizer que nós aqui em João Pessoa sentimos falta de mais eventos, e que a atitude dela foi louvável. No entanto, ocorreram falhas que aqui deverão ser citadas. Primeiramente, não há, em hipótese alguma, como se comparar o público de João Pessoa com o público de Recife. Os perfis são diferentes, aqui não existe a cultura de que todo fim de semana o pessoal vai pra shows. Faltou a organização ter estudado o perfil do público daqui.

O que foi interpretado por alguns como “boicote”, para nós, foi apenas a opção que muitos fizeram por escolher o fim de semana que mais se adequasse ao seu estilo de som favorito. É claro que ficou a queixa sobre a falta de presença das bandas de JP no evento, o que eu apontei como sendo mais uma falha da comunicação entre as bandas locais e a organização. Um lado diz que não foi procurado pela organização, o outro diz que nenhuma banda de João Pessoa demonstrou interesse em tocar, então prefiro nem me aprofundar nisso. Erro falho, também, foi a questão do horário. Eu presenciei pessoas que lá estavam no local do evento às 14h, e que foram embora no final da tarde por conta do atraso: os shows tiveram início às 18h! Vi muita gente que desistiu de entrar por conta disso, porque precisava trabalhar no dia seguinte.

O público ficou cansado, o pessoal das bandas também estava cansado, enfim, foi desrespeitosa essa questão. A última banda a se apresentar tocou pouquíssimo e pra um público que dava pra contar nos dedos. Vamos levar em consideração que tratava-se de um domingo (mais um motivo para uma menor quantidade de gente no evento), logo após o feriado de carnaval e na data do dia 21, ou seja: fim de mês, após uma semana de feriado prolongado, onde muita gente encontrava-se sem dinheiro. E outro motivo, que talvez tenha sido o mais determinante, foi a POUCA DIVULGAÇÃO DO EVENTO. No dia seguinte ao show, perguntei para algumas pessoas porque não tinham comparecido ao InToca, e a resposta foi quase que unânime: “foi tão mal divulgado que eu nem sabia que tinha começado já”. E realmente, não vimos cartazes, propagandas ou nada que se referisse a este evento aqui na cidade.

Eu não acredito em “boicote” por parte do público de João Pessoa. Acho até que é muito fácil se justificar falhas em um evento levantando somente como questão os erros alheios, mas isso precisa ser reavaliado. Nós, daqui de João Pessoa, que RESPEITAMOS O METAL E QUEM POR ELE FAZ ALGO, jamais daríamos as costas para organizadores ou bandas de outros Estados, e isso eu falo em nome de muita gente. Espero muito que, com este incidente, não seja criada uma desavença sem fundamento entre João Pessoa/Recife ou qualquer outra cidade ou Estado. Esperamos por bandas de todos os lugares tocando aqui, assim como desejamos ver as bandas de João Pessoa tocando em outras cidades, porque metal é isso: interação e respeito.

Viviane Nihilisme
Jornalista, Publicitária
Colunista do Site Recife Metal Law