
10 InToca Metal
A VIAGEM
O ônibus com a produção, bandas, convidados e imprensa partiu do Recife (PE) rumo à João Pessoa (PB), ao final de uma manhã de domingo ensolarada. Realizou um breve stop na cidade de Igarassu para a subida do redator desta metéria (eu!), que partiu da Ilha de Itamaracá exclusivamente para realizar a cobertura oficial do festival, a convite da produtora Júlia Claudino.
A viagem foi bastante animada e tranquila, onde os passageiros puderam curtir alguns video clips de Heavy Metal exibidos nos monitores instalados nas dependências do veículo, que, a propósito, era bastante confortável.
Mais adiante, uma nova parada. Desta vez foi para abastecer a todos com um almoço. Este tipo de viagem é muito válido, pois aproxima ainda mais as pessoas, gerando uma ótima integração entre todos, onde é possível colocar as conversas em dia, estabelecer novas amizades e fortalecer os contatos.

10 InToca Metal
O LOCAL
O relógio marcava um horário além das 14:00h quando o ônibus que nos levava chegou à capital paraibana. O venue escolhido foi a casa de shows InToca, localizada privilegiadamente no sítio histórico pessoense. É um cantinho rústico e muito bacana.
Pequeno, mas com salão coberto e provido de várias janelas que garantem uma boa ventilação, o espaço dispõe de bar com mesas e cadeiras na área externa, banheiros (feminino e masculino) e uma sala que serve de camarim improvisado.
Por trás do recinto, é possível conferir uma bela vista para o Rio Sanhauá, que banha o Porto do Varadouro, popularmente conhecido como Porto do Capim.

10 InToca Metal
O EVENTO
A produção do evento foi encubida pela também headbanger Júlia Claudino e foi co-produzido por Eduardo Correia, da produtora de vídeo profissional Preview. Este evento faz parte de um projeto chamado Nordeste Underground Scene, uma extensão do Recife Underground Scene, bem conhecido dos recifenses.
O título para este festival, 10 InToca Metal, partiu da premissa original do evento, que teria duração de 10 horas em cada data, entre os shows e outras atividades.

10 InToca Metal
A produção não mediu esforços para o festival no quesito aparelhagem, que contou com excelentes equipamentos de som, iluminação de palco e um projetor que exibia vídeos de bandas de diversos estilos do Metal. Estas facilidades agradaram a todos, principalmente às bandas.
O cast da noite contou com a participação de grupos provenientes da cidade de Recife, Pernambuco, e com um único represente do estado da Paraíba, vindo de Campina Grande.


A Scary Fairy Tale
Já era noite quando o evento teve o seu início. A primeira banda a entrar em cena foi A Scary Fairy Tale, cujo estilo, focado no Deathcore, mistura influências que vão desde o experimental ao Thrash Metal. O line-up da banda apresenta Lucciano Lisboa (vocal), Phill Santos e César Reynaux (guitarras), Bruno Santos (baixo) e Leo Silva (bateria).
Com um visual mais “à vontade”, onde é impossível não notar o galego César Reynaux, a banda mostrou uma performance muito estimulante e cheia de personalidade.

A Scary Fairy Tale
Eles realizaram um ótimo show de abertura com sua forma peculiar de apresentação. Lucciano conseguiu agitar o público que ainda estava tímido em frente ao palco, surpreendendo com o seu vozeirão.
Entre os membros, o destaque ficou por conta de Leo Silva, cujo trabalho de baterista é normalmente o menos visado do público, devido à sua localização no palco. O Leo se impôs com muita determinação, justificando o título que lhe foi conferido.


Evil Force
A banda seguinte, Evil Force, foi a única representante da Paraíba nesta edição do evento. O grupo já se apresentou em Recife, em dezembro de 2008, quando dividiram o palco com a amazonense Glory Opera.
Com uma formação composta por Ana Sontag (vocal), Eduardo Sontag e Thiago Lira (guitarras), Isaac Dinoá (baixo) e Johnny Douglas (bateria), a banda apresentou um grau maior de maturidade, devido a experiência adquirida ao longo do tempo.

Evil Force
A Evil Force desponta como uma das revelações do Hard Rock paraibano. A performance da banda teve como destaque a bela vocalista Ana Sontag, de voz cativante e que demonstrou uma maior segurança no palco.
O estilo da banda possui uma levada mesclada entre o Heavy Metal clássico e o Hard Rock contemporâneo. A banda agradou bastante e levou um maior número de pessoas diante do palco, especialmente durante a música “A Word To Say”, onde houve uma boa troca de energia e vibração constante com o publico, que acompanhava os músicos.


Rabujos
A plateia já encontrava-se “aquecida” quando os integrantes da banda Rabujos subiram ao palco. O quarteto formado por Jaka (vocal), Diego (baixo), Rodrigo (guitarra) e Carlos (bateria), trouxe um som carregado de atitude, em uma bela apresentação do mais autêntico Grind Core.
Os Rabujos agitaram em todas as músicas apresentadas e conseguiram estabelecer uma roda de pogo em frente ao palco. Mas, ainda assim, eles nunca estão satisfeitos com o que quer que seja, nem mesmo com o seu instigante poder sonoro.

Rabujos
Jaka bradou ao público toda sua fúria através de suas músicas subversivas e, em um determinado instante, desceu do palco e se juntou aos demais na roda. Foi um dos momentos mais marcantes da noite.
Rabujos apresentou um repertório com músicas já consagradas em sua carreira e também as novas “Exílio” e “Hiena”, ambas da coletânea Terra Batida, culminando com um belíssimo cover do Napalm Death, “Suffer The Children”, bem recebido por todos. A forte presença de palco e voz aguçada conferiram ao Jaka o destaque da apresentação.

Rabujos


Decomposed God
A noite chegou ao seu apogeu com a entrada da banda tida como headliner para esta edição do festival: Decomposed God. Sobem ao palco o quarteto formado por André Valongueiro (vocal), Marco Duarte (guitarra), Jean Marcel (baixo) e Wagner Campos (bateria) para desferirem sua carga sonora de destruição.
O Decomposed God foi praticamente a única banda a ter feito a passagem de som por completo, e os caras são minunciosos nesta questão. Cada um deles fez os testes necessários para que tudo ocorresse da melhor forma possível.

Decomposed God
Não seria errado dizer que a base sonora da noite do festival se deu pelos ajustes iniciais incorporados pela banda, que também contaram com a primordial ajuda dos técnicos de som.
Competência técnica e profissionalismo a banda tem de sobra e eles mostraram isso no palco. Não foi por menos que o Decomposed God foi eleita a melhor banda de 2009, através de escolha popular, divulgada na Coluna Lapada, do jornalista e músico Wilfred Gadêlha.

Decomposed God
Seria injusto mencionar um único membro como destaque. Em vez disso, irei apontar algumas características apresentadas por cada um deles: A forte presença de palco e voz gutural estarrecedora do André é exibida juntamente com sua marca registrada, onde ele desfere tapas na cabeça, lembrando uma atitude de protesto; Wagner praticamente destrói a bateria com sua batida forte e cadência espetacular; Jean abusa de belas linhas de baixo e presenteia o público com um solo durante a instrumental “Despiser Of Icons”; Marco levou a plateia ao delírio com os pesadíssimos riffs de sua Washburn.

Decomposed God
Quem esteve ali presente teve uma ótima oportunidade de conferir o que esta banda irá apresentar pela Europa, em abril deste ano, quando farão a Bestiality Over Europe Tour. O set list executado pela banda foi praticamente o mesmo que eles tocarão na tour, com ênfase nas músicas do já aclamado álbum “Bestiality”. Este álbum também foi mencionado na lista dos melhores de 2008, da Coluna Lapada, onde obteve a 7ª colocação, desbancando Conquer (Soulfly), The Crucible of Man (Iced Earth) e Southern Storm (Krisiun).

Decomposed God


Ahriman
O festival prossegue com a participação da banda Ahriman, que também esteve no Recife Underground Scene, em novembro de 2009. Sobem ao palco Pedro (vocal), Edgar (guitarra), Phill (bateria) e Leandro (baixo). Os caras não são de muita conversa e, sem demora, iniciam a sua apresentação.
Eles exibem uma sonoridade Death Metal rápida e muito bem trabalhada. A versatilidade das composições se estende para os músicos.

Ahriman
A técnica apurada de Edgar lhe confere o destaque durante a apresentação da banda, dividindo esta mesma posição com Pedro, que denota uma “cara de poucos amigos” e impele uma presença de palco feroz.
A banda entoou músicas de seu trabalho recente, Apology For Destruction (2009), que foram interpretadas com vigor e recebidas com entusiasmo pelo público que prestigiava. A surpresa ficou por conta da apresentação da inédita, “I Must Kill My Enemies”.
Eles fecharam com o cover “Stripped, Raped And Strangled”, de uma de suas influências, a americana Cannibal Corpse, que foi o suficiente para gravarem na mente dos bangers o potencial que eles ostentam.

Ahriman

Nobb

Nobb
O 10 InToca Metal chega ao fim desta edição com a presença no palco da banda Nobb. Formada por Edson Baros (vocal), Blico e Renato Carvalho (guitarras), Couto (baixo) e Flavio Santos (bateria), eles apresentam-se com um estilo meio confuso, misturando diversas de suas influências, onde passam pelo Death e Thrash Metal e o Grind Core.
Como acontece em todo festival onde se apresentam diversas atrações, infelizmente, o público naquele momento era de número pequeno, mas que se mostraram ativos e compartilharam com a Nobb um momento de extrema brutalidade, musicalmente falando.

Nobb
A performance “violenta” do baterista Flavio lhe conferiu a menção de destaque da banda, onde ele demonstra um domínio fantástico das baquetas. Mas a banda toda se mostrou perfeita dentro do que lhe competia no palco do InToca Bar.
Eles mostraram-se categóricos e sem exageros. Estão de parabéns por suportarem a situação crítica que é a de fechar um evento de longa duração e com diversas outras bandas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
• A produtora Júlia, como sempre vem fazendo em seus eventos, demonstra um imenso respeito pelas bandas ao simplesmente realizar a apresentação delas, o que nem sempre é possível conferir em eventos desta classe.
• Congratulações vão para a equipe técnica de som, pelo profissionalismo apresentado a todo instante e atenção dedicada às bandas. Eles fizeram um trabalho excepcional e todos os músicos elogiaram a qualidade sonora.
• Aplausos seguem para os seguintes membros de outras bandas que também marcaram presença nesta edição do festival: Jairo (Cruor), Beto (Infested Blood) e Alcides (Inner Demons Rise). Esta homenagem é justa, pois se deve ao fato de eles prestarem apoio técnico a todas as bandas que se apresentaram, em tudo o que fosse possível, desde o momento em que chegaram ao InToca Bar.
• O pequeno contingente de público registrado em João Pessoa, ao que parece, não é uma exclusividade dos eventos underground em Recife. Este mesmo problema é enfrentado em tantas outras cidades, por todas as regiões do Brasil.
NOTÍCIA TRISTE… COM FINAL FELIZ
Segundo nota publicada aqui mesmo no JOSCO WEBLOG, em postagem anterior (vide aqui), o festival 10 InToca Metal foi descontinuado. O motivo pertinente: ausência de público.
Parece brincadeira, mas é a mais pura verdade. Após esta narrativa, onde procurei relatar com exatidão alguns dos momentos presenciados no festival, é lamentável que eu tenha que finalizar a matéria deste modo.
Mas o Heavy Metal não será desprezado ao extremo. Enquanto expresso estas palavras, existe um movimento em atividade na cidade de Recife, voltado para que este festival tenha uma continuidade na primeira oportunidade disponível. Tudo indica que o Recife Underground Scene (RUGS) assumirá o lugar que fora destinado ao 10 InToca Metal Festival.
É possível que novas bandas sejam introduzidas ao cast, devido ao fato de algumas das convocadas para o 10 InToca já terem participado de alguma edição anterior do RUGS. Ficamos no aguardo de mais notícias, na esperança de que tudo ocorra da melhor forma possível.
JOSCO Weblog estará diretamente envolvido nesta iniciativa, dedicando o apoio necessário para que a produção do evento consiga atingir o seu objetivo.
FORÇA SEMPRE AO HEAVY METAL
A equipe do blog JOSCO Weblog, imparcial diante de uma discussão crítica acerca do festival 10 InToca Metal, tem a honra de abrir espaço para a publicação das palavras de uma das pessoas mais respeitadas na cena do Metal regional.
Fica aqui, portanto, os nossos mais sinceros agradecimentos pela disposição no fornecimento dos comentários a seguir.
DEPOIMENTO DE UMA HEADBANGER
Com relação aos problemas referentes à realização do evento, quero deixar claro primeiramente que não estou aqui levantando bandeira para João Pessoa e criticando qualquer coisa que venha de Recife, pois odeio bairrismo. Quero parabenizar Julia (idealizadora do Festival) pela iniciativa, dizer que nós aqui em João Pessoa sentimos falta de mais eventos, e que a atitude dela foi louvável. No entanto, ocorreram falhas que aqui deverão ser citadas. Primeiramente, não há, em hipótese alguma, como se comparar o público de João Pessoa com o público de Recife. Os perfis são diferentes, aqui não existe a cultura de que todo fim de semana o pessoal vai pra shows. Faltou a organização ter estudado o perfil do público daqui.
O que foi interpretado por alguns como “boicote”, para nós, foi apenas a opção que muitos fizeram por escolher o fim de semana que mais se adequasse ao seu estilo de som favorito. É claro que ficou a queixa sobre a falta de presença das bandas de JP no evento, o que eu apontei como sendo mais uma falha da comunicação entre as bandas locais e a organização. Um lado diz que não foi procurado pela organização, o outro diz que nenhuma banda de João Pessoa demonstrou interesse em tocar, então prefiro nem me aprofundar nisso. Erro falho, também, foi a questão do horário. Eu presenciei pessoas que lá estavam no local do evento às 14h, e que foram embora no final da tarde por conta do atraso: os shows tiveram início às 18h! Vi muita gente que desistiu de entrar por conta disso, porque precisava trabalhar no dia seguinte.
O público ficou cansado, o pessoal das bandas também estava cansado, enfim, foi desrespeitosa essa questão. A última banda a se apresentar tocou pouquíssimo e pra um público que dava pra contar nos dedos. Vamos levar em consideração que tratava-se de um domingo (mais um motivo para uma menor quantidade de gente no evento), logo após o feriado de carnaval e na data do dia 21, ou seja: fim de mês, após uma semana de feriado prolongado, onde muita gente encontrava-se sem dinheiro. E outro motivo, que talvez tenha sido o mais determinante, foi a POUCA DIVULGAÇÃO DO EVENTO. No dia seguinte ao show, perguntei para algumas pessoas porque não tinham comparecido ao InToca, e a resposta foi quase que unânime: “foi tão mal divulgado que eu nem sabia que tinha começado já”. E realmente, não vimos cartazes, propagandas ou nada que se referisse a este evento aqui na cidade.
Eu não acredito em “boicote” por parte do público de João Pessoa. Acho até que é muito fácil se justificar falhas em um evento levantando somente como questão os erros alheios, mas isso precisa ser reavaliado. Nós, daqui de João Pessoa, que RESPEITAMOS O METAL E QUEM POR ELE FAZ ALGO, jamais daríamos as costas para organizadores ou bandas de outros Estados, e isso eu falo em nome de muita gente. Espero muito que, com este incidente, não seja criada uma desavença sem fundamento entre João Pessoa/Recife ou qualquer outra cidade ou Estado. Esperamos por bandas de todos os lugares tocando aqui, assim como desejamos ver as bandas de João Pessoa tocando em outras cidades, porque metal é isso: interação e respeito.
Viviane Nihilisme
Jornalista, Publicitária
Colunista do Site Recife Metal Law