Bobby "Blitz" Ellsworth (vocalista da banda Overkill)
O blog JOSCO WEBLOG recentemente fez a cobertura oficial para o show da banda Overkill em Recife (PE), realizado no salão de festas do Sport Club (aguardem ainda nesta semana pela publicação online da matéria do show). Após o espetáculo, tivemos a grata oportunidade de ter um momento com o frontman da banda, o Sr. Bobby “Blitz” Ellsworth.
É importante lembrar que a imprensa não estava autorizada a registrar fotos ou vídeos de nenhum dos membros da banda, mas a produção deles foi informada previamente que se tratava de uma cobertura oficial da própria produção local do show. Partimos desta premissa e conseguimos uma brecha para realizarmos esta pequena entrevista com o vocalista.
O blog agradece o apoio da produção do show em Recife (João Marinho e Marcelo de Carvalho), com a qual realizamos parceria na divulgação dos eventos realizados. Eles nos permitiram este encontro exclusivo, nos dando a oportunidade de trocar algumas palavras com o músico de uma forma bastante descontraída e bem animada, ainda que rápida.
Confira abaixo como foi este encontro com Bobby “Blitz” e a conversa que tivemos com ele.
JOSCO WEBLOG Bobby, em primeiro lugar, seja bem vindo ao Recife.
BOBBY “BLITZ” Obrigado! (Em alto e bom português. Mas esta era a única palavra que ele conseguia pronunciar, pois toda a entrevista aconteceu em inglês mesmo.)
JOSCO O novo álbum, Ironbound, se tornou um grande sucesso em todos os lugares. Tanto a imprensa quanto os fãs concordam com isso. Voce esperava este tipo de reação positiva?
BOBBY Eu não sei. Não podemos dizer que não esperávamos. Acredito que o que nós fazemos seja apenas negócios, como de costume. Acho que uma das coisas com o Ironbound que acaba sendo única é que há uma energia especial, mas você não pode planejar. Isto só acontece quando rola uma química entre a banda. E isto, claro, é o que acontece. Acho que Overkill seja uma das bandas mais consistentes há mais de vinte e cinco anos. Mas o fato da banda atingir o sucesso (ou não) não depende de nós. Esta resposta está sempre nas pessoas que a ouvem. Então, é claro, deve haver algum tipo de energia especial e mágica nela. E esta deve ser a responsabilidade. Mas, para nós, não criamos esta expectativa de uma forma ou de outra. Nós sempre achamos que iremos atingir (o sucesso). É por isso que você joga o jogo. Você joga para ganhar.
JOSCO Após todos esses anos com a banda, como é estar novamente em turnê?
BOBBY É ótimo. Quer dizer, na turnê, pessoalmente para mim, é quando tudo começa. É quando estamos em um show ao vivo. É quando a música é mais pura. Você tem a oportunidade de suceder ou falhar, de um momento para o outro. E acho que é isso que faz estar numa turnê ser algo excitante. Não que seja normal ou comum, mesmo quando você já fez tantos shows. A gente se sente como se estivesse tomando os riscos, levando a vida com as suas próprias mãos! É por que você sucede ou falha, de uma noite para a outra. Então, eu ainda gosto muito disso.
JOSCO O que você poderia dizer sobre esta mini turnê pela América do Sul, que termina hoje aqui em Recife, correto?
BOBBY Sim, sim! América do Sul, quatro show. Começou em Santiago (Chile), Buenos Aires (Argentina), São Paulo e agora Recife. É realmente ótimo descer aqui, por que em nossos vinte e cinco anos estivemos no continente por apenas duas vezes.
JOSCO E esta é a primeira vez no Nordeste do Brasil.
BOBBY Sim! A primeira vez em Recife; primeira vez em Buenos Aires; primeira vez no Chile. Então, é sempre excitante ser capaz de sentir como se você estivesse fazendo algo novo.
JOSCO Quase trinta anos e tão poucos shows na América do Sul…
BOBBY A culpa não é nossa! É verdade! O problema que tivemos com isso, talvez, em vinte e cinco ou trinta anos – tivemos apenas nove turnês agendadas, é que (os shows) são cancelados pelos promotores. (risadas) Não é culpa nossa!
JOSCO Qual a sua visão para a cena atual do Thrash Metal pelo mundo?
BOBBY Bem, me parece muito saudável no momento. Muito do que vejo eu gosto. Há mais de duas gerações envolvidas de uma forma geral.
JOSCO Eu diria três.
BOBBY Eu diria três também. E acho que isso é uma coisa legal. Então, sabe, você vê os pais, as filhas, as mães, os filhos, todos indo para os shows…
JOSCO Até mesmo crianças! (Algumas famílias se reuniram para assistirem ao show juntas e algumas delas tiveram a chance de tirar algumas fotos com a banda.)
BOBBY Crianças? Ah, sim. Acabamos de ter algumas delas aqui no camarim com os pais. E elas… Para cada uma das fotos que tiraram, elas mostraram os chifres duplos… hahaha. (O sinal característico do Heavy Metal, onde temos a mão fechada com os dedos mínimo e indicador apontados para cima.)
JOSCO Isto é ótimo, não?
BOBBY Então, é por isso que acho saudável que a cena transcende estas tantas gerações.
JOSCO Você tem algum plano para o futuro, um futuro próximo para a banda?
BOBBY Ah, tem, sim. A turnê americana inicia uma semana após a nossa chegada em casa (Estados Unidos), que vai durar até maio. Em seguida, teremos os festivais europeus. Aproximadamente doze feztivais europeus, Japão, Austrália e depois tem a segunda rodada pelos Estados Unidos e uma segunda rodada pela Europa. Então, estaremos agendados até o Natal.
JOSCO Até o Natal?
BOBBY Sim. Este é o nosso plano. Mas não ficaremos em turnê o tempo todo. Faremos shows a cada mês. Sairemos por um mês, então teremos um mês de férias e saimos de novo por outro mês ou algo assim.
JOSCO Bobby, muito obrigado pelo seu tempo em responder a estas questões.
BOBBY Ei! Obrigado a você, Brasil. “OBRIGADO”!
JOSCO Você deixaria uma pequena mensagem para os fãs?
BOBBY Sim. É sempre muito bom poder estar no Brasil. Uma das coisas mais legais sobre isso é que sempre nos sentimos como se estivéssemos na Capital do Thrash Metal. Headbangers realmente muito sérios.
JOSCO Como é bom ouvir isso!
BOBBY “Horns up!”
JOSCO & Bobby "Blitz" Ellsworth durante a entrevista para o blog
Durante a terceira e última noite do Garanhuns Jazz & Blues Festival 2010, ocorrido no Agreste de Pernambuco, no dia 15 de fevereiro, em pleno efervescente Carnaval do Nordeste, o músico e compositor Andreas Kisser, conhecido mundialmente pelo seu trabalho com a banda de Heavy Metal Sepultura, concedeu uma entrevista exclusiva e bastante descontraída para o blog JOSCO WEBLOG, parceiro oficial do festival, onde ele fala sobre momentos recentes em sua carreira, discute sobre um possível DVD com a banda e também sobre bebidas com a marca Sepultura, além de falar, claro, sobre o evento mencionado.
Andreas Kisser
JOSCO WEBLOG Andreas Kisser, seja bem vindo a Garanhuns e mais uma vez a Pernambuco. Você teve uma participação no projeto Oi Blues By Night há dois anos atrás, o qual também é realizado pelo produtor Giovanni Papaleo, o mesmo do Garanhuns Jazz & Blues Festival. Esta teria sido a sua primeira experiência de Blues aqui pelo Nordeste do Brasil?
ANDREAS KISSER Muito obrigado. No Nordeste, sim. Eu conheci o pessoal da Irmandade do Blues (Vasco Faé, Silvio Alemão) e isto foi lá atrás, em 1997/98, em São Paulo…
JOSCO 1997?! Há muito tempo.
ANDREAS Pois é. Bem, eu sempre gostei de Blues. Morei nos Estados Unidos e pude ver vários shows por lá. Então, esta foi a primeira vez que eu comecei a tocar o Blues com o “pessoal do Blues”. Me lembro que também teve a Blue Jeans. E desde então, eu venho tocando com eles em alguns projetos bem diferentes, onde temos um de Classic Rock, em que a gente toca Deep Purple, Black Sabbath, Jimi Hendrix, Cream, Led Zeppelin. E o Vasco (Faé) é o vocalista, ele toca gaita também…
JOSCO Mas o Vasco toca de tudo, não é?
ANDREAS É, o Vasco toca tudo mesmo, bicho: é vocalista, guitarrista, gaitista, baterista…
JOSCO Eu tive a oportunidade de realizar a cobertura do Oi Blues By Night em Recife e João Pessoa, ano passado, e tive uma boa conversa com o Vasco e também com o Andre Matos, com o qual até rolou uma entrevista. Foi nesta ocasião que eu fiquei sabendo da tua participação no projeto.
ANDREAS Puta, cara, foi demais. Num teatro, assim, espetacular. Acho que foi no centro da cidade.
JOSCO Sim. Teatro Paulo Pontes, anexo do Espaço Cultural.
ANDREAS Isso mesmo. É um teatro maravilhoso.
Andreas Kisser
JOSCO Me explica uma coisa. O ano começou muito bem: Você teve a participação no show do Hail!, em Nova Iorque, em janeiro; o Sepultura dividindo o palco com o Metallica, no final de janeiro; você acabou de chegar da Argentina, onde tocou com o Sepultura (Cosquin Festival, Córdoba, 13 de fevereiro); o Sepultura anuncia o lançamento de uma cerveja Weiss.
ANDREAS Pois é. Tá saindo a cerveja. Oficialmente, ainda não foi lançada.
JOSCO De onde surgiu a ideia da cerveja?
ANDREAS Ah, veio de um pessoal que já comercializa e está inserido neste meio. E também teremos o lançamento de uma seleção de vinhos, mas virá depois da cerveja. O vinho vem da Argentina, da região de Mendoza, e teremos vários tipos diferentes. Não iremos entrar no mercado para competir. É como eu falei antes: está mais voltado para o pessoal que aprecia a bebida, que quer uma bebida de qualidade. É um lance bem legal, onde a gente está aprendendo bastante.
JOSCO Cerveja de qualidade com a marca de uma banda de qualidade!
ANDREAS Espero que sim. Mas este lance não é algo inédito no meio musical. Já tivemos exemplos, como o Van Halen, Iron Maiden.
Uma leve interrupção da entrevista. É para distribuir alguns autógrafos e fotos para alguns fãs. O Andreas Kisser atende a todos que foram agraciados com um momento intimista com o seu ídolo. Vale lembrar aqui que o músico já havia distribuído autógrafos e posado para fotos diversas vezes, antes da entrevista e durante a passagem de som, que ocorreu ao final da tarde, ao lado do palco do festival. Sempre muito bem humorado e atencioso.
Logo em seguida, voltamos com a conversa…
Andreas Kisser, Tico Santa Cruz, Uptown Blues Band
JOSCO Você ia falando sobre a cerveja…
ANDREAS Então, a cerveja já está praticamente pronta. Todo o material da embalagem já foi preparado…
JOSCO Mas ela ainda não está sendo comercializada?
ANDREAS Estamos fazendo os processos aos poucos. É uma cerveja feita artesanalmente. A gente está estudando a melhor forma de lançá-la. Ela é uma Weissbier, feita de trigo, com alta fermentação, e não é filtrada, que é uma característica tradicional da bavária (região cervejeira ao sul da Alemanha). Isto faz com que ela não seja uma cerveja tão popular, pois terá distribuição em locais selecionados. O mercado de cervejas no Brasil é gigantesco e o estilo desta cerveja é diferente.
JOSCO Ela, então, é direcionada para um público mais específico, correto?
ANDREAS Exatamente. É uma cerveja muito boa, feita em São Paulo, feita no Brasil e por cervejeiros brasileiros. A gente, muito em breve, vai anunciar a divulgação oficial de lançamento e também onde e como encontrá-la. Vai ser algo bem selecionado, em pubs, onde tem este tipo de clientela.
JOSCO Eu já imagino a galera em um show não apenas ouvindo ao Sepultura, mas também tomando uma SepulWeiss.
ANDREAS Eu espero que a galera curta, né, meu. A gente viaja pelo mundo e curte cerveja de todos os lugares.
JOSCO Após este início de ano com diversas apresentações tuas e da banda, que conclui-se hoje, aqui no festival de Garanhuns, o que vem pela frente?
ANDREAS Tem a turnê que começa no início de Abril e a gente vai ficar praticamente o verão inteiro lá na Europa, tocando em vários lugares que a gente não tocou ainda.
JOSCO O álbum mais recente (A-Lex), naturalmente, já foi lançado por lá e vocês agora estão indo para outras apresentações.
ANDREAS Sim. Vamos tocar em outros países, como a Inglaterra, França, alguns festivais.
Neste momento, um dos membros da equipe do Magic Slim interrompe a entrevista, chamando o Andreas Kisser para tocar com o Mestre do Blues. Notei em seu semblante uma feliz expressão de surpresa. Para o músico, “esta parte não estava no script”.
E após algumas músicas com o bluesman, voltamos com o papo…
JOSCO Vamos continuar com a conversa. E como está o andamento para o DVD?
ANDREAS Então, o DVD a gente está estudando. A gente está aguardando a sinalização de patrocinadores, pois queremos fazer o lance com uma orquestra. Ainda não está definido, mas a gente está fazendo alguns planos.
Andreas Kisser, Karl Dixon, Uptown Blues Band
JOSCO Falando em Sepultura, apesar de particularmente eu achar muito bacana o formato de cada novo álbum da banda, é muito comum a gente notar os fãs pedindo cada vez mais o retorno do Thrash Metal na musicalidade da banda, algo que muitas bandas já estão empregando de volta. O que você comenta a respeito?
ANDREAS Cada um tem a sua opinião, né, meu? O Sepultura tem 25 anos de história e já compomos discos muito diferentes, independente da formação. Você vê, desde o “Bestial Devastation” até o “A-Lex”, são projetos bem diferentes um do outro.
JOSCO Eu observo algo curioso: o pessoal está sempre pedindo o thrash de volta ao Sepultura e, na minha opinião, eles criticam a banda (neste sentido) baseando-se unicamente na temática de cada álbum novo que é lançado. Ou seja, é claro que isso não ocorre com todos os ouvintes, pois nem todos eles compram mais os discos, mas a verdade é que atualmente é raro alguém sacar bem um novo trabalho de um artista ou banda, como era muito comum na época do Vinil e do Cassete. Então, alguns fãs até mesmo comentam que o Sepultura traiu o movimento. Mas o que se vê nos shows é que vocês continuam com muito peso. Eu tive novamente esta certeza no show que vocês fizeram em Recife, ano passado, juntamente com o Angra. Aquilo foi fantástico. O “peso” está ali, em suas músicas, como sempre esteve.
ANDREAS Com certeza, cara! Ao vivo, a gente toca material da história inteira da banda, músicas antigas e novas. Eu lembro que, quando o Jean veio para a banda, o cara veio com uma puta vontade de tocar, e ele é um batera de muito boa qualidade. Ele deu uma revigorada legal. A gente ensaiou um repertório antigo, coisas que a gente não tocava há muito tempo e isso se reflete no palco. Você vê, tocar com uma banda como o Metallica, por exemplo, porra… O Metallica é uma das maiores bandas da história!
JOSCO Me permita comentar isso. O Sepultura também se encontra neste âmbito, pela sua expressividade, importância e contribuição ao gênero. É uma banda com grande força no Heavy Metal mundial e com um quarto de século de existência.
ANDREAS Cara, isso é uma escola. A gente aprende muito com tudo isso…
JOSCO Na verdade, acaba sendo uma troca de experiências.
ANDREAS Certamente.
Andreas Kisser assiste ao show do Magic Slim
JOSCO Sabe, Andreas, falando em Metallica, nós todos que acompanhamos o trabalho das bandas, especialmente os que, assim como eu, blogueiros e demais que contribuem com o movimento através de divulgação de conteúdo e estão sempre ligados nas notícias online, nós ficamos muito surpresos com a repercussão daquele vídeo que foi postado online, onde o James Hetfield (vocalista do Metallica) aparece curtindo a banda. Que felicidade ver aquilo ali!
ANDREAS Do caralho! Os dois shows, cara! Ele assistiu aos dois shows.
JOSCO Aquilo foi algo de surpresa, não? A gente nota que, ao final do vídeo, alguém mete a mão na câmera.
ANDREAS É, acho que seja algum segurança ali. Eles estão sempre ligados e ficam circulando pelo palco com os caras e tudo o mais. Mas foi muito legal alguém capturar aquele momento, a gente lá tocando e o cara curtindo…
JOSCO Aquilo foi muito oportuno!
ANDREAS Pois é, cara, o Metallica nos influenciou muito e a gente fica bastante grato com tudo isso.
JOSCO Você comentava a importância histórica do Metallica para o Heavy Metal e eu também inclui na lista o Sepultura. Então, este vídeo é uma prova concreta disso.
ANDREAS É do caralho! Tocar com eles era um sonho de moleque… Fantástico!
Outra interrupção e mais fotos e autógrafos foram distribuídos. Na sequência, damos continuidade ao papo onde, a este ponto, já ficou maior do que o previsto.
Andreas Kisser, Magic Slim
JOSCO Voltando ao Blues. O Giovanni Papaleo já começou a montar o cast do Oi Blues para este ano. Como o Vasco Faé já apareceu neste festival mais de uma vez, nós estamos lançando uma petição para que você retorne ao evento.
ANDREAS (Risos) Estamos ai, cara. Com certeza seria um grande prazer.
JOSCO Como eu tive a oportunidade de conferir tanto o Oi Blues quanto hoje, aqui, o Garanhuns Jazz & Blues Festival, eu pude observar que a mesclagem de ritmos, neste caso a inserção de algum representante do Heavy Metal (o Andreas Kisser participou na edição do Oi Blues em 2008 e o Andre Matos veio para a edição de 2009), é bastante satisfatória e muito bem apreciada. Acredito que você observou isso aqui.
ANDREAS É do caralho! E é verdade. Tem muito a ver. O Blues é muito foda, muito autêntico. A liberdade que ele nos dá é incrível mesmo. Eu toquei um pedacinho da Seek And Destroy (Metallica), cara, entre uma música e outra… porra! A resposta da galera foi foda. Muito positiva, muito legal. E foi muito bacana ver muitos headbangers ali, de camisas pretas.
JOSCO E tem outro detalhe: o pessoal que curte o Blues e o Jazz (obviamente, a grande maioria que esteve ali presente), eles não conhecem o Heavy Metal, de certo modo. Então, cara, eles vendo você ali no palco, como um representante deste estilo musical, tocando com uma pegada mais pesada e, ao mesmo tempo, sem perder a magia e a simplicidade do Blues, fez com que eles pudessem vibrar com esta união. Eu acho até que pude captar algum vídeo, onde mostra o pessoal dançando.
ANDREAS Isso é muito bacana! Foi uma experiência muito boa. Tocar blues para uma platéia maior, em um evento gratuito. E também, foi com total improvisação, como pede o Blues, né? A gente está acostumado a tocar outros formatos e, dentro dos limites que existem no Blues, é a coisa mais linda na música.
JOSCO Nada mais improvisado do que a tua entrada no palco, para tocar junto com o Magic Slim.
ANDREAS Porra! Isso foi realmente um grande improviso. Eu não esperava. Espero que a galera tenha mesmo captado algumas imagens.
JOSCO Andreas, diante disto tudo, de repente, pode rolar um projeto teu envolvendo o Blues?
ANDREAS Ah, é possível, cara. Nunca tentei fazer algo assim. Porra, tem música pra caramba que eu curto. Como eu ia dizendo, esta experiência de tocar hoje, fazer a jam com o Magic Slim… A gente estava no meio da entrevista… Fantástico!
JOSCO Quando eu te vi lá por trás do palco, no início do show do Magic (antes da entrevista), eu achava que era ali que você iria entrar. Eu te vi curtindo o show ali e pensei: “É neste momento que ele será chamado”. Até registrei isto em uma foto.
ANDREAS Cara, ali eu não tinha a menor ideia.
JOSCO O Papaleo havia me dito que teria uma participação tua no show dele (Magic Slim). Então, quer dizer que você não sabia sobre isso?
ANDREAS Não, cara. Não estava combinado, não comigo! Foi meio que de últuma hora. Mas, pô, o Blues é lindo também por causa disso. Esta liberdade de formato de show nos dá uma infinidade de misturas de sons ali.
JOSCO Esta improvisação nos apresenta impossibilidades infinitas.
ANDREAS Sem dúvida, bicho. É a música, né?
Andreas Kisser, Magic Slim
JOSCO Andreas, eu tenho uma pergunta que já há algum tempo eu venho fazendo para mim mesmo. Como um grande apreciador de guitarras (tenho uma Samick Artist Series há treze anos, mas jamais tive tempo para me dedicar ao aprendizado do instrumento), eu curto os sons instrumentais desde a metade da década de 1980. Então, o Joe Satriani tem o projeto que ele realiza, já há muitos anos, o G3 (ou Guitar Trio). Eu comentei recentemente no Twitter do Kiko Loureiro sobre algo similar, mas ainda não tive tempo de checar se houve algum retorno quanto a isso. Aproveitando a oportunidade desta entrevista contigo, gostaria de saber se seria interessante a realização de um projeto desse tipo aqui no Brasil, com alguém do Metal no cast ou – quem sabe? – de repente, este projeto sendo de sua autoria?
ANDREAS Porra, uma grande ideia! Tudo é possível, meu. Aqui no Brasil temos músicos de grande qualidade. Eu já fiz algumas coisas com o Kiko Loureiro, um músico de nível excepcional. Temos também o Edu Ardanuy, Mozart Melo, Faísca. São vários caras, que tocam de tudo, que têm uma estrada maravilhosa na música, com destaque tanto no Brasil quanto no exterior. De repente, é uma coisa que pode realmente rolar, né, meu. Uma boa ideia.
JOSCO Vou entrar em um assunto que não me agrada tanto: Política. Acredito ser de seu conhecimento que o festival de Garanhuns não teve qualquer apoio financeiro por parte do Governo de Pernambuco, através de sua Secretaria de Turismo ou mesmo pela FUNDARPE, que é o órgão do governo que disponibiliza verbas de incentivo para esta finalidade. Nós tivemos aqui em Pernambuco um caso polêmico, ano passado, que ficou conhecido como “Showgate”, fazendo com que o festival fosse diretamente prejudicado. Apesar do grande incentivo para a economia local, aqui de Garanhuns, ao que parece, a cidade e/ou o festival ainda não são vistos como um atrativo por parte destes órgãos, especialmente nesta época do ano.
ANDREAS Falar o que, cara? É a política do nosso Brasil, meu. Mas eu acho que tanto os músicos do Metal quanto os do Blues eles sobrevivem dessa vontade de tocar mesmo, do amor à música. Acho que é isso, essa garra. É isso que mantém a gente na estrada, tocando. A política vai estar sempre ai, cara. Umas horas boas, outras ruins, mas a gente vai continuar fazendo aquilo que a gente gosta. Este festival aqui é um grande exemplo de batalha por algo em que acreditamos. O Giovanni Papaleo, principalmente, é um exemplo de pessoa que dribla as adversidades e coloca toda a sua força para fazer o negócio acontecer.
Backstage: Silvio Alemão, Andreas Kisser, JOSCO, Adrian Flores
JOSCO O Papaleo é considerado “O Cara”, principalmente pelo que ele faz aqui com o seu trabalho voltado para o Blues e o Jazz. Este evento, já premiado antes, está concorrendo a mais um prêmio cultural este ano. É uma homenagem muito justa. O festival só aconteceu este ano por parte do incentivo das empresas privadas, que acreditam no projeto. É também apoiado pelo público que comparece em grande número para prestigiarem os músicos.
ANDREAS Sem dúvida! Isso é legal, pois pode mostrar que o negócio dá certo e que vale a pena investir. E porque não, meu? O turismo é forte aqui, não se trata de não apenas investir no Carnaval. Acho que tem grana pra todo mundo, todos os eventos. É só roubar menos ou deixar de favorecer mais a uns do que a outros e todo mundo ganha. A cultura aqui é espetacular. Neste evento tivemos músicos do Chile, Argentina, Estados Unidos, Brasil (São Paulo, que é o meu caso, e outros estados). Isto é maravilhoso. Hoje em dia é raro de se ver no mundo festivais com essa riqueza cultural, com artistas de diversas nacionalidades. Tenho que citar aqui também a presença do Celso Blues Boy, que é um músico muito importante, e esta banda sensacional que é de Curitiba (Big Time Orchestra, que se apresentava neste momento da entrevista).
JOSCO Andreas, eu gostaria que você finalizasse a conversa com uma mensagem para o pessoal que veio prestigiar esta noite de Blues.
ANDREAS Estar aqui em Garanhuns, em pleno Carnaval pelo Brasil – especialmente em Pernambuco, que é a terra do Frevo – pela primeira vez, em um clima fantástico, curtindo música da melhor qualidade, tudo isso é muito impressionante, cara.
JOSCO Uma temperatura muito bacana aqui em Garanhuns. E você conhece bem o clima lá em Recife (apelidada adequadamente pelos bangers de Hellcife).
ANDREAS É maravilhoso, meu. Foi realmente uma grande surpresa poder ver a receptividade da galera com este tipo de música (Heavy Metal), mais pesada, mesclada com o Blues. Espero poder voltar mais vezes, com certeza.
JOSCO Podemos dizer que foi além de tua expectativa?
ANDREAS Mavarilhoso, meu. Eu já tinha ouvido falar de Garanhuns, mas apenas pessoalmente para poder sentir isso tudo aqui.
Andreas Kisser, JOSCO
JOSCO A gente espera que na próxima edição do evento o Govervo do Estado, principalmente através da FUNDARPE e da Secretaria de Turismo, concedam ao Garanhuns Jazz & Blues Festival o mesmo tratamento que costumam dar ao município de Garanhuns em todos os outros eventos que ocorrem na cidade. Agora eu gostaria que você deixasse uma mensagem para o pessoal do Metal, os Headbangers que acompanham o Whiplash.net.
ANDREAS Então, para os Bangers todos, o Sepultura está sempre ai na ativa, de uma forma ou de outra, e mantenham-se falando da gente, meu. É sempre bom termos este contato de vocês. Abraços.
JOSCO Muito obrigado pelo seu tempo e pela disponibilidade para esta entrevista.
ANDREAS Foi um prazer, cara. Valeu demais pela força.
NOTA: Os vídeos disponibilizados nesta entrevista não possuem uma boa qualidade de som e imagem. Foram captados com uma câmera fotográfica Sony, modelo DSC-S930, que não é adequada para esta finalidade, resultando em uma baixa qualidade sonora e resolução de vídeo ínfima para os padrões atuais. Embora ela seja ótima para captura de fotos, infelizmente encontrava-se desconfigurada e as fotos não ficaram a contento. De toda forma, acredito que estes arquivos servem como uma forma de registro para mostrar um pouco do que foi o Garanhuns Jazz & Blues Festival 2010.
Andreas Kisser – Passagem de som (Garanhuns Jazz & Blues Festival 2010)
Andreas Kisser – Fotos com os fãs (Garanhuns Jazz & Blues Festival 2010)
Andreas Kisser – Jam com Magic Slim (Garanhuns Jazz & Blues Festival 2010)
Andreas Kisser Fotos com os fãs (Garanhuns Jazz & Blues Festival 2010)
No dia 30 de agosto deste ano, em João Pessoa-PB, durante a cobertura realizada para o evento Oi Blues By Night, (clique aqui para ver a matéria postada no blog), eu tive a grata oportunidade de ter uma agradável conversa com ninguém menos que o maestro Andre Matos, que dispensa qualquer tipo de apresentação no meio musical. Esta conversa, na verdade, era para ser uma entrevista, mas, devido ao curto espaço de tempo, acabou se transformando em um bate papo puramente informal. Um grande amigo meu e super fã do Andre Matos, o Tiago Araruna, lá de João Pessoa, esteve comigo durante esta conversa e contribuiu com algumas perguntas ao artista.
Vale ressaltar que este encontro foi realizado durante a madrugada, no restaurante onde jantamos, logo após o show do evento mencionado, na capital paraibana, às 02:30h do domingo. Nossas fotos revelam o quanto estávamos cansados.
JOSCO WEBLOG O Heavy Metal foi uma criação genial, um dos sub-gêneros do Rock And Roll, que é descendente do Blues. Como é que você, Andre Matos, um dos ícones do Heavy Metal mundial, qualifica esta fusão de gêneros, este encontro entre “neto e avô”?
ANDRE MATOS Não sei se é “neto e avô”, se é “pai e filho” e também não sei se o Heavy Metal é originário do Blues ou da Música Clássica, pois acho que tem um pouco dos dois. Talvez o Blues seja “o pai” e a Música Clássica “a mãe”. Existe a agressividade do Blues no estilo do Rock pesado e existe também o virtuosismo da Música Clássica. É algo que no Blues não existe, pois o Blues é um estilo caracterizado pela improvisação, pela espontaneidade. E que eu acho muito legal, muito válido. Porém, o metal se caracterizou também por este outro lado mais virtuosístico, mais técnico. Então, para mim, é como um reencontro mesmo, com as raízes, talvez.
JOSCO Você jamais gravou Blues?
ANDRE Nunca cantei Blues, cara. Fazer parte deste projeto de Blues (Oi Blues By Night) é algo muito especial, por assim dizer, pois é uma coisa inédita na minha carreira.
JOSCO Utilizei o termo “gravado”, pois recentemente você teve uma participação no projeto do DVD ao vivo da Irmandade do Blues, doVasco Faé.
ANDRE Ah, sim. Mas eu estou contando justamente até este período, quer dizer, há um ou dois anos atrás eu não tinha contato com este “ambiente” do Blues e, de repente, eu me vi no meio disto, eu me encaixei bem. Eu acho que, de uma certa maneira, isto já estava no meu ouvido e dentro do Metal a gente consegue perceber que existe isso. Então, é o que a gente disse aqui, quer dizer, onde á que está o limiar, onde é que está a transição do Blues para o Rock? Está nas primeiras bandas: Led Zeppelin, Deep Purple, The Who…
JOSCO … estão nas que deram origem. As pioneiras, neste caso.
ANDRE Sim! Que nada mais eram do que bandas de Blues, que faziam um som mais pesado. Inclusive, eu até já citei isso. Uma vez eu conversei com o Halford (Judas Priest), onde falei: Halford, como é que você começou? Ele respondeu: Eu era um cantor de Blues. De repente, eu estava fazendo Metal e não sabia.
JOSCO Ele foi sendo mais agressivo na sonoridade e…
ANDRE … turbinou. Turbinou o Blues e chegou numa agressividade “x”. Mas se você ouvir umas músicas do Judas Priest, tipo, You Got Another Thing Comin’, Living After Midnight, então, você vê. Isso é Blues, cara.
JOSCO Com uma outra “roupagem”?
ANDRE Sim. É pesado. Uma outra sonoridade, mas a essência é do Blues, é o Rock And Roll.
JOSCO Andre, mudando um pouco de assunto, eis que tenho uma curiosidade: você acabou de lançar o seu novo álbum, o CD está em distribuição pelo mundo. A indústria fonográfica ainda aposta neste modelo de distribuição, o CD. Executivos desta mesma indústria afirmam que tal modelo acabou. O que você tem a dizer sobre isso?
ANDRE O modelo de CD só vai acabar quando houver uma outra mídia que possa subistituí-lo. Então, por enquanto, ainda não inventaram.
TIAGO ARARUNA Nem mesmo o velho vinil acabou, concorda?
ANDRE O vinil está voltando. Inclusive, se lançarem materiais em vinil, eu sou um dos que irão comprar. Eu, particularmente, gosto mais do som do vinil do que do CD.
TIAGO Infelizmente eu não alcancei esta época. Mas, com certeza, eu compraria algo seu se lançado em vinil.
ANDREEu alcancei esta época quando ainda era adolescente. A gente só tinha acesso a discos em formato vinil. E, portanto, eu sei qual é a diferença entre um som em vinil e outro em CD. É assustador como você sente a música mais viva quando ela sai de um disco de vinil.
JOSCO Em 1974, eu brincava de ouvir música, ao som do Elvis Presley, com aquela radiolinha movida a pilha.
ANDRE … aquela que dobrava assim, não era? (Fazendo o gesto)
Andre Matos
JOSCO Justamente.
ANDRE Eu ouvia os disquinhos da Disney – Branca de Neve e os Sete Anões e tal…
JOSCO … onde o vinil era um brinde que acompanhava os livrinhos.
ANDRE Eles vinham com os livrinhos, os disquinhos coloridos. Você colocava e ele era do tamanho certinho da vitrola. Era maravilhoso aquilo lá, cara. Então, o que aconteceu? O Kiss veio para o Brasil, eu comprei o Creatures Of The Night e comecei a ouvir na vitrolinha. Mas o vinil era muito maior do que a vitrola, né, bicho?
JOSCO Isso aconteceu comigo com o Live After Death, do Iron Maiden.
ANDRE Exatamente. Então, porra, botava lá “tum, tum, tá… tum, tá”… naquele auto falantinho da vitrola. Bicho, eu quase estourava aquele negócio. E ali era o começo de tudo, né, cara. Era o começo de tudo.
JOSCO O que o Andre Matos ouve atualmente?
ANDRE Tudo o que for original. Não importa o estilo.
JOSCO Forró nordestino?
ANDRE Depende… depende. É como eu falei outro dia: tem gente que fala “forró nordestino é uma praga”. Sim, concordo. O (forró) atual é uma praga, é uma coisa horrorosa. Agora, vai ouvir o Luiz Gonzaga. Não tem como não respeitar a música do Luiz Gonzaga, por exemplo. Não tem como não respeitar! É como o chorinho do Pixinguinha. Bicho, é um negócio que tem substância. Não é?
JOSCO Sem dúvida, Andre.
ANDRE Dá vontade de ouvir. Dá vontade de descobrir o que é que tem ali. Eu sou músico, cara. Eu não nasci um cantor de Heavy Metal. Eu estudei música clássica. Eu faço Heavy Metal por gosto, vocação, por vontade. Idenfiticação! Mas, ao mesmo tempo, não poderia deixar de ser (de ouvir outros gêneros). Eu estou aberto para qualquer tipo de música do mundo…
JOSCO … desde que seja original.
ANDRE Desde que seja original e feita de verdade! Feita com honestidade. Eu acho que esta é a grande palavra. Então, tem gente que fala: “E a Axé Music?” Legal, mas no começo da Axé Music, quando tinha o Timbalada, o Olodum. Aquilo foi um acontecimento. Agora, depois, virou uma palhaçada. Outro exemplo, o Sertanejo. Provavelmente você pega uns caras tipo o Pena Branca e Xavantinho, que são as raízes do estilo… é genial. Mas, de igual modo, não dá para ouvir mais hoje em dia, é ridículo. Mais um exemplo, o Pagode. Toca lá o Fundo de Quintal. Esse negócio é divertido, é interessante.
JOSCO Me lembrei daquela banda do Mussum (Os Trapalhões), que eu não me lembro o nome.
ANDRE Como é que se chamava a banda do Mussum, cara?… Originais do Samba. Perfeito!
JOSCO … Paulinho da Viola?
ANDRE Nem se comenta, nem se comenta. Esses caras são… são ícones, né? Tenho o maior respeito mesmo, não tenho a menor vergonha de dizer isso.
JOSCO Na verdade, eu diria que você não discrimina gêneros musicais, mas, sim, a deturpação deles.
ANDRE Eu sou músico. Eu não sou simplesmente um cantor de Heavy Metal. E eu me orgulho disso: sou músico. Tenho os ouvidos abertos para tudo. Eu sei distinguir bem, modéstia à parte, o que é original daquilo que é uma mera cópia. Ou pior ainda, sei distinguir daquilo que é comercial.
JOSCO Esta deturpação musical está inserida no Heavy Metal também.
ANDRE Existe e muito. Não é a toa que o Heavy Metal é um estilo estigmatizado. O pessoal inventa coisa tipo o Massacration, que é uma paródia, uma caricatura do Heavy Metal. Eles não deixam de ter razão, não, cara. Tem muita coisa dentro do Heavy Metal que é ridícula. Eu não vou dar nome aos bois, mas tem coisas que eu vejo, onde eu falo “tenho vergonha de ver isso”.
TIAGO Falando um pouco sobre o álbum Mentalize, qual foi a sua primeira impressão ao ouví-lo? Dever cumprido?
ANDRE Eu ainda não o ouvi finalizado (risos). Eu evitei ouvir, cara. Eu já ouvi entrevistas de cineastas falando assim “Eu nunca vi o filme finalizado. Só o vi enquanto estava filmando”. Mas eu tenho vontade de ouvir, sim. Bem, eu já recebi o CD. Agora eu vou escutar com calma, mais à vontade.
JOSCO Você recém chegou da Alemanha, não é verdade?
ANDRE Eu vim de lá semana passada.
Andre Matos & JOSCO
TIAGO Bem, o álbum já teve lançamento no Japão.
ANDRE Mas eu não fui para a divulgação dessa vez, eu não pude ir. Eles fizeram sem mim.
TIAGO Você vai lá (Japão) somente para os shows?
ANDRE Então, agora, em breve, vai rolar a questão dos shows. Não sei se a gente vai fazer uma turnê lá ou se vai fazer os festivais.
TIAGO Você acha que aquela turnê com o Avantasia ajudou de algum modo na divulgação do teu nome (banda solo) no exterior?
ANDRE Ajudou, sim! O pessoal já entrou em contato e tal. Na verdade, eu até preferiria que não rolasse uma turnê com o Avantasia ano que vem.
TIAGO A Azul Music tem pretensão de lançar uma música em alguma novela. Como você vê esta relação?
ANDRE Bicho, (minha) música em novela, tendo ou não tendo, eu estou nem ai para isso, pois, na verdade, eu detesto os meios de comunicação em massa no Brasil. Eu acho que a novela é algo que emburrece tanto o brasileiro, bicho, que a gente não merece isso. Mas, o que manda é o dinheiro, o que manda é a indústria. Então, ainda existe novela, ainda existe Luciano Huck, ainda existe Serginho Groisman, ainda existe Faustão. Se me chamarem eu vou para mostrar o meu trabalho. Isto não quer dizer que eu assista a este tipo de programa.
Neste momento, o pessoal da produção chama o Andre para que ele finalize com a entrevista, mas ele, enfaticamente, informa que vai ficar mais alguns minutos…
TIAGO Andre, você tem algum problema com o Jô?
ANDRE Quem?
TIAGO O Jô Soares. É que teve um incidente ocorrido na época em que você ainda estava no Angra…
ANDRE Aquele em que ele quebrou o disco, não foi?
TIAGO Sim. É só uma curiosidade que muita gente questiona.
ANDRE O Jô Soares… eu acho que ele é uma cara que deveria se tratar. É só isso que eu tenho a dizer (relembrando o incidente).
TIAGO Você pretende lançar algum DVD, uma vez que você já tem dois trabalhos de músicas inéditas?
JOSCO Um DVD sobre sua carreira, não um projeto de um DVD clássico.
ANDRE Bem, clássico, hoje em dia, todo mundo tá fazendo, né? Banda com orquestra no mesmo palco já virou um lugar comum. Se eu for fazer algo deste tipo, eu acho que a gente tem que caprichar muito. A gente tem que fazer uma coisa muito diferenciada. O DVD que eu tenho vontade de fazer, na verdade, não sei se será possível, seria um DVD retrospectivo da minha carreira inteira. Desde o começo, passando pelos tempos de hoje. Mas isso depende de “n” coisas, liberações de direitos de imagens, etc.
TIAGO Existe a possibilidade do (projeto) Tommy voltar? É que eu lembro que você falou que pretendia ir para outras cidades e tal e eu pensei que acabaria em algum teatro em Recife (PE).
ANDRE Putz! É o seguinte: tudo dentro da música é complicado. Nada é só sonho. Existe o lado burocrático. É triste dizer isso, mas é verdade. Para o (projeto) Tommy acontecer em outros lugares, deveria haver o interesse de outras pessoas envolvidas, de orquestras, maestros. E, daí, você pode esticar isto até Secretarias de Cultura, Governos Estaduais, etc, etc. E este pessoal, cara, vou te falar um negócio, muitas vezes eles preferem fazer um show de Axé na praça, que vai dar umas 50.000 pessoas – e votos! – do que uma coisa de qualidade. Então, lamentavelmente, no Brasil, o que manda ainda é o poder do dinheiro e o tráfico de influência.
JOSCO Andre, este projeto que finalizou hoje, é a segunda parte desta edição do Oi Blues By Night neste ano, de um total de quatro apresentações. Gostaria que você fizesse um resumo a respeito dele.
ANDRE Ele foi praticamente uma mini-tour. Hoje foi em grande estilo, cara. Ter feito isso aqui em João Pessoa, em um teatro tão bonito como os caras tem aqui (Teatro Paulo Pontes)…
Tiago Araruna & Andre Matos
JOSCO … com uma plateia muito mais animada…
ANDRE Plateia abertíssima. Quer dizer, eu acho que se a gente desejasse que a turnê terminasse em cima (no topo), isso cumpriu com o nosso desejo.
JOSCO Fechou com chave de ouro, então.
ANDRE Totalmente. Começou e terminou, não é?
JOSCO Bravo! Pois bem, Andre, muitíssimo obrigado pela atenção dispensada.
ANDRE Eu que agradeço, cara. Foi um prazer.
E foi assim que terminamos este bate-papo tão agradável com uma das pessoas mais gentis, sinceras, comedidas e atenciosas das quais eu já tive o prazer de encontrar. Para os leitores, diante da extensão do texto, parece uma conversa sem fim. Para nós que estivemos cara-a-cara com o Mestre, foi tudo muito rápido.
Eu mencionei acima que nossas fotos revelam algo, é visível, mas a nossa satisfação não é tão transparente nestes gráficos. Ela certamente ficará marcada em nossas mentes para sempre.
Um forte abraço ao Andre Matos e ao amigo Tiago Araruna.
01 • Paulo Peterson – Humberto como foi a sua estréia em caraguatatuba? algum detalhe a comentar? Humberto Sobrinho – A estréia foi bem legal. Apesar de eu estar um pouco nervoso, a galera agitou bastante.
02 • PP – Como foi a receptividade do público? HS – A receptividade foi excelente, pois os fãs do Hangar são apaixonados pela banda.
03 • PP – Você procurou cantar as músicas antigas da mesma forma como elas foram gravadas, ou fez a seu jeito? HS – Cantei as músicas como elas foram gravadas e sempre farei assim, pois me coloco no lugar do Fã. No lugar deles, gosto que seja reproduzido ao vivo, da mesma forma em que foi gravado.
04 • PP – O que passou pela sua cabeça durante toda apresentação? HS – Fiquei tentando imaginar as opiniões de cada um deles sobre o novo vocal da banda..
05 • PP – O que seus companheiros de banda falaram assim que chegaram ao camarim?
HS -Falaram que fui bem, apesar de nervoso…
Humberto Sobrinho
06 • PP -Existe alguma diferença fora e dentro do palco entre sua outra banda Glory Opera e Hangar? HS – Acho que a diferença mesmo está no estilo musical, pois as duas bandas são extremamente profissionais.
07 • PP – Comparações com Nando Fernandes são inevitáveis, como você lida com isso? HS – Como você falou, comparações são inevitáveis, mas, estou muito surpreso com a receptividade dos fãs e gostaria de agradecê-los também aqui no seu blog!
08 • PP – Percebi em alguns comentários em diversos foruns e comunidades relacionadas ao Hangar e a você, alguns fãs afirmando que você força demais no uso dos drives. A impressão que me dá, é que alguns fãs acham que você exagera porque quer soar igual ao Nando Fernandes. O que tem a falar sobre isso? HS – Não quero soar como ninguém a não ser eu mesmo. Esse comentário aconteceu logo após a apresentação no EM&T, e realmente coloquei um pouco mais de drive na After All do Black Sabbath, pra soar mais pesada e pelo contexto da letra, ou seja, apenas interpretei a música da forma que eu achei que ficaria legal.
09 • PP – Gostaria de agradecer a você pela entrevista ao meu blog, como também, por citar em algumas entrevistas meu nome como uma das pessoas que te ajudou a entrar no Hangar. Fico feliz por ter participado desse momento tão especial de tua carreira. HS – Eu que agradeço a você pela força de sempre!
10 • PP – Bem Humberto, encerro por aqui deixando espaço aberto para seus comentários finais. HS – Gostaria de agradecer a todas as pessoas que me ajudaram de alguma forma, mandando mensagens de apoio, me incentivando nessa nova jornada com o Hangar, inclusive isso me ajudou muito na hora em que eu estava gravando o disco, pois pensava no carinho dessas pessoas, e isso fazia com que eu cantasse ainda melhor! Muito Obrigado!
O Programa Metal é a Lei, que irá ao ar nos dias 09, 10 e 11 de maio, terá como principal atração uma entrevista com o novo vocalista da banda brasileira de Heavy Metal Hangar: Humberto Sobrinho.
Além disso, o programa irá divulgar como foi a seletiva de Campinas do Wacken Metal Battle Brasil 2009, bem como outras bandas que fazem parte da excelente coletânea “Rock Soldiers”.
O Metal é a Lei, apresentado por Lula Mendonca, é um programa voltado para a cena brasileira de Hard/Heavy Metal e vai ao ar todos sábados, domingos e segundas às 8:00h, 15:00h e 22:00h na Rádio Rock Freeday.